INTERVENÇÃO CÍVICA EM DEFESA DO PATRIMÓNIO

A ASPA criou este blogue em 2012, quando comemorou 35 anos de intervenção cívica.
Em janeiro de 2025 comemorou 48 anos de intervenção.
Numa cidade em que as intervenções livres dos cidadãos foram, durante anos, ignoradas, hostilizadas ou mesmo reprimidas, a ASPA, contra ventos e marés, sempre demonstrou, no terreno, que é verdadeiramente uma instituição de utilidade pública.
Numa época em que poucos perseguem utopias, não queremos descrer da presente e desistir do futuro, porque acreditamos que a cidade ideal, "sem muros nem ameias", ainda é possível.

terça-feira, 29 de setembro de 2020

ENTRE ASPAS "O Largo Paulo Orósio e a estratégia urbanística para a cidade de Braga"

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Será que quem habita em Braga dispõe de informação que lhe permita recuar no tempo e imaginar a cidade de um passado mais longínquo
?   É esse recuo, no tempo, que Francisco Sande Lemos nos proporciona com este texto, em que reune informação que falta à maior parte das pessoas que percorrem as ruas e praças desta cidade histórica.
Hoje em dia as cidades distinguem-se pela sua genuinidade, pelo legado que souberam preservar e valorizar. Daí que o conhecimento da cidade do passado deva ser o suporte para decisões a tomar no presente, de modo a garantir um futuro sustentável.

Para o Largo Paulo Orósio nunca foi programada nenhuma escavação, apesar de ter sido o local do Forum da urbe. Porquê? 
A resposta é simples: o Projeto de Bracara Augusta nunca teve um financiamento científico expectável, tanto por parte do poder central como da Autarquia, apesar dos pedidos e insistências nesse sentido. Ampliar

O noticiado projecto de Hotel (previsto para o espaço Quartel) está condicionado pelo parecer do Gabinete de Arqueologia da Câmara Municipal de Braga, que determina sondagens arqueológicas prévias, em resultado das quais o projeto poderá ter que ser substancialmente alterado. O texto desse parecer será divulgado no blogue da ASPA.

Numa cidade histórica, como Braga, importa que a população conheça os espaços que escondem valores arqueológicos, para que compreenda o território e seja capaz de argumentar em sua defesa e divulgação.
Assim, a ASPA entende que se justifica um relatório semanal no website da Câmara Municipal de Braga, logo que os estudos previstos se iniciem, a fim de que a cidade os possa acompanhar.

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

ENTRE ASPAS "Em busca de uma estratégia cultural"


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O planeamento da atividade cultural de uma cidade de média dimensão talvez não precise de mais do que duas ou três ideias simples e claras para se afirmar. Precisa, no entanto, que essas ideias, além de coerentes e vinculadas a uma estratégia que concilie curto, médio e longo prazo, sejam o resultado de uma discussão aberta, participada e assumidamente democrática. Um planeamento sério, que ambicione estruturar práticas, criar novos hábitos de consumo e mobilizar os agentes culturais, não pode deixar ninguém de fora, sendo indispensável resistir à captura por grupos de interesse particulares, bem como à imposição de limitações determinadas por qualquer circunstancialismo político.

São vários os requisitos para se conseguir um bom planeamento cultural, sobretudo quando o projetamos no longo prazo (lembramos que o horizonte proposto é 2030) e quando nos situamos numa cidade como Braga, onde quase tudo está por fazer.




quarta-feira, 19 de agosto de 2020

ENTRE ASPAS "Braga: temos uma feira do livro ou uma loja digital?"

Uma Feira de Livros é um espaço urbano, de preferência, onde durante um determinado período de tempo se agrupam dezenas de livreiros e editores, instalados em stands com as suas edições ou livros de outros editores, vendendo com descontos mais ou menos apelativos.


Temos aqui, num só texto, duas ações contrárias: uma crítica severa a esse ludíbrio grosseiro de converter uma plataforma digital numa “feira do livro” e um apelo positivo para que essa plataforma se mantenha ativa e disponível para livreiros e editores que dela precisem e assim beneficiando o empreendedorismo cultural e um público disperso pelas várias partidas da terra.

Estamos perante uma ideia boa que pode ser mesmo útil e impactante, mas que pode também reduzir-se ao mais triste e grotesco show-off.

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Entre Aspas"Visão Estratégica e Direito à Cidade"

O documento Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica e Social de Portugal 2020-2030, apresentado a 21 de julho de 2020, será a base para o Plano de Recuperação a apresentar por Portugal à Comissão Europeia, com vista à utilização dos fundos europeus disponíveis.  




 

Há no documento referências específicas a Braga. Nas suas páginas, sobre a cidade, dedica a maior parte da atenção às questões da “mobilidade” e do “ambiente”. Deixa apenas um curto parágrafo para política habitacional.

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Manuel Sarmento alerta para vertentes do desenvolvimento económico e social do país ausentes no documento e alerta para a importância estratégica da requalificação urbana, como projeto público da máxima prioridade, pela qual passa o nosso futuro demográfico, o nosso bem-estar social e o nosso progresso económico.


Consultar: 

Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica e Social de Portugal 2020-2030 (documento)

quarta-feira, 22 de julho de 2020

ENTRE ASPAS "Recolhimento das Convertidas: olhares cruzados"

O edifício "Recolhimento das Convertidas", em Braga, foi inaugurado em 1722 como espaço de acolhimento de mulheres.
A fachada barroca, que vemos da Avenida Central, esconde um interior que surpreende quem o visita. A descrição sobre este edifício, disponível na página da DGPC, é esclarecedora sobre a sua importância à época e sobre as razões que levaram à sua classificação, em 2012, como monumento de interesse público com uma zona especial de proteção (ZEP), que inclui edifícios contíguos.
O interior desenvolve-se em torno de um pátio em forma de U, em redor do qual existem dois pisos com pequenas celas/quartos de recolhimento de mulheres, pequenos e muito simples. A capela barroca, de planta retangular, com teto abobadado pintado com motivos decorativos, tem gelosias no coro-alto por onde as mulheres assistiam à missa e outras celebrações sem serem vistas.
É um edifício que, segundo a DRCN, possibilita um restauro praticamente integral sob o ponto de vista arquitectónico. 
A ZEP do Recolhimento das Convertidas foi definida tendo em vista a proteção do monumento que, segundo a DRCN, "se insere numa área da cidade de Braga perfeitamente consolidada e faz parte integrante de uma frente contínua que limita a avenida Central de Braga, onde existem outros edifícios de valor arquitectónico, com importância e valor variável, mas que constituem um enquadramento que contribui para a valorização do imóvel". Daí que a DRCN tenha incluído a frente urbana da Avenida Central na ZEP do monumento.
Esperava-se, por isso mesmo, que a DRCN actuasse de modo a proteger a área abrangida pela ZEP do monumento. O que, para surpresa nossa, não aconteceu, uma vez que deu parecer favorável à construção de um hotel de grande volumetria, com cinco pisos, contíguo ao Recolhimento das Convertidas. 
O edifício desperta, a quem o visita, sensações fortes, na medida em que os espaços pequenos das celas, os corredores estreitos, o pátio em U e logradouro, convidam a imaginar o quotidiano das mulheres que lá habitavam.
O texto de Isabel Cristina Mateus  convida-nos a recuar no tempo...


segunda-feira, 6 de julho de 2020

ENTRE ASPAS "Redes de Bibliotecas e património documental: que memória para as bibliotecas escolares?"

Lugares de memória por excelência, é papel das bibliotecas escolares reivindicarem a preservação e divulgação do património bibliográfico e documental das instituições de ensino e da comunidade que servem, em colaboração com as bibliotecas públicas, que agregam e alargam o potencial de cada uma. Eis um desafio de inovação a partir desse lugar de afecto e abrigo da memória que a ASPA não quer deixar de propor às bibliotecas escolares e às suas redes.


A título de exemplo apresentamos dois postais preservados para o futuro: um, do Liceu Sá de Miranda, em Braga, que nos remete ao passado (Biblioteca Pereira Caldas, Escola Secundária Sá de Miranda); outro, mais recente (2002), da Escola EB2/3 Frei Caetano 
Brandão (AE de Maximinos, em Braga) resultado de um projeto interdisciplinar ,centrado na floresta de carvalhos, que envolveu alunos de 3º ciclo na descoberta da biodiversidade vegetal e animal autóctone.   



segunda-feira, 22 de junho de 2020

ENTRE ASPAS "Os espaços verdes urbanos em contexto de alterações climáticas"



Num dia em que, por coincidência, a temperatura foi superior a 30ºC, em Braga,  o texto publicado na coluna Entre Aspas, de Miguel de Maria Brito (Arqº Paisagista)  e Isabel de Maria Brandão (Engª Agrónoma), é um alerta para a importância de as cidades se prepararem para fenómenos climáticos extremos.





Importa perceber as razões pelas quais existem Estratégias Municipais Municipais  de Adaptação às Alterações Climáticas e por que motivo é urgente passar à prática, adotando  medidas articuladas em cada território concelhio:
"Em consequência das atuais manifestações de alterações climáticas, os principais fatores de risco nas zonas urbanas são, entre outros, o calor excessivo e a modificação dos padrões de precipitação. Ao aumento da temperatura global, acresce o aumento da temperatura em consequência da urbanização (efeito de ilha de calor urbano). Este calor será tanto menor quanto maior for a área de espaços verdes e menor a densidade de construção, uma vez que é causado, principalmente, pela cobertura do solo com materiais impermeáveis e absorventes de calor, como a pedra, o cimento e o asfalto. A previsão de diminuição da precipitação total, comum aos países do sul da Europa, representa uma preocupação a nível da garantia do abastecimento de água de boa qualidade e pode ter consequências na saúde das pessoas, na preservação dos ecossistemas e biodiversidade e, naturalmente, na economia."


Miguel Maria Brito e Isabel Mourão, são autores do Manual de Boas Práticas-Desenho e Gestão de Espaços Verdes em cenário de Alterações Climáticas, Editado pela Empresa Municipal de Ambiente de Cascais e disponível on-line. Neste manual é apresentada a evolução do clima em Portugal, causas e efeitos da emissão de gases de efeito de estufa, causas e consequências das alterações climáticas e seu impacte nas cidades (calor excessivo, modificações do regime de vento, dos padrões de precipitação, etc.), contributo dos espaços verdes urbanos para a adaptação às alterações climáticas (serviços do ecossistema e seus indicadores), diversidade de espaços verdes na cidade (jardins, ruas verdes, paredes verdes, coberturas verdes, corredor verde ribeirinho, hortas, parques de estacionamento material permeável, espaços de enquadramento, etc.) e recomendações para a sustentabilidade dos espaços verdes face às alterações climáticas. 

Planeamento, desenho, implementação e gestão de espaços verdes urbanos, são assumidos como parte da Estratégia Municipal de Adaptação às Alterações Climáticas (EMAAC).



Consultar:


domingo, 14 de junho de 2020

ENTRE ASPAS "Memória para todos: o papel das bibliotecas"

Manuela Barreto Nunes, bibliotecária, alerta para a crise em que se encontram as bibliotecas públicas devido ao abandono por parte do Ministério da Cultura, o que "motivou uma recente carta aberta à Ministra da Cultura, promovida por um conjunto de bibliotecários e subscrita por mais de um milhar de cidadãos, entre os quais artistas, escritores e investigadores, chamava a atenção, entre outros aspectos, para a importância das bibliotecas na recolha e valorização do património cultural imaterial e da memória local, enquanto “elementos estruturantes da identidade das comunidades” e, nesse contexto, da constituição e valorização dos Fundos Locais, colecções de documentos que preservam e promovem a memória e a identidade das comunidades, contribuindo para a coesão social e o desenvolvimento local e regional."
Relembra que "...a Rede de Bibliotecas de Leitura Pública do Cávado, constituída no âmbito da respectiva Comunidade Intermunicipal, obteve um pequeno financiamento no âmbito do programa PADES, acima referido, para a criação de uma Biblioteca Digital do Cávado. Com o nome de AquaLibri, esta biblioteca digital, que ainda este ano abrirá as suas portas virtuais, disponibilizará em acesso aberto e gratuito as colecções de imprensa local, livro antigo, monografias locais de há muito esgotadas, documentos efémeros, fotografias e recursos sonoros e audiovisuais que testemunham a vida das comunidades. Desenvolvida seguindo o espírito da participação cidadã, estimulará a colaboração das populações através do depósito de documentos das suas próprias bibliotecas e espólios particulares, ou dos testemunhos que vão recolhendo na actividade do dia-a-dia, contribuindo assim para a preservação e a divulgação da memória colectiva. 
Talvez aqui, através da cooperação intermunicipal, se anteveja um novo futuro para as bibliotecas públicas e para os seus fundos locais e patrimoniais."