INTERVENÇÃO CÍVICA EM DEFESA DO PATRIMÓNIO

Em 2012 a ASPA comemorou 35 anos de intervenção em Braga. Criou, nessa data, este blogue.
Em 2017 comemorou 40 anos de intervenção.
Numa cidade em que as intervenções livres dos cidadãos foram, durante anos, ignoradas, hostilizadas ou mesmo reprimidas, a ASPA, contra ventos e marés, sempre demonstrou, no terreno, que é verdadeiramente uma instituição de utilidade pública.
Numa época em que poucos perseguem utopias, não queremos descrer da presente e desistir do futuro, porque acreditamos que a cidade ideal, "sem muros nem ameias", ainda é possível.

SETE FONTES

DEZEMBRO DE 2013
O novo executivo municipal suspende o PDM na área da ZEP das Sete Fontes.
Foi dado o 1º passo e há, finalmente, a esperança para o Monumento Nacional.

JUNHO DE 2015
O PDM aprovado na Assembleia Municipal de Braga prevê área de construção em ZEP do Monumento Nacional.
Novamente um futuro incerto para o Complexo das Sete Fontes?!

MARÇO de 2016
Publicada a Declaração nº16/2016, de 3 de março, que revoga o despacho que aprovou a constituição de faixa de reserva "non aedificandi" para o lanço da EN 103-Variante de Gualtar, entre o Nó do Hospital e o Nó Norte (Nó do Fojo).
É o fim da variante que atravessaria o Complexo das Sete Fontes e tanto preocupava os defensores do Monumento Nacional.

JULHO 2018
A CMB apresenta às associações e aos proprietários dos terrenos, o "Ponto da Situação e a Estratégia Executória para o Complexo Ecomonumental das Sete Fontes".

Março 2019
Sessão pública "Salvaguarda e Execução do Parque Ecomonumental das Sete Fontes. Apresentação dos estudos: hidrogeológicos, arqueológicos, urbanísticos e paisagísticos"

Fevereiro de 2021
Apresentação e discussão pública do Plano de Urbanização e do Projeto do Parque das Sete Fontes

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

ENTRE ASPAS "Em busca de uma estratégia cultural"

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O planeamento da atividade cultural de uma cidade de média dimensão talvez não precise de mais do que duas ou três ideias simples e claras para se afirmar. Precisa, no entanto, que essas ideias, além de coerentes e vinculadas a uma estratégia que concilie curto, médio e longo prazo, sejam o resultado de uma discussão aberta, participada e assumidamente democrática. Um planeamento sério, que ambicione estruturar práticas, criar novos hábitos de consumo e mobilizar os agentes culturais, não pode deixar ninguém de fora, sendo indispensável resistir à captura por grupos de interesse particulares, bem como à imposição de limitações determinadas por qualquer circunstancialismo político.

São vários os requisitos para se conseguir um bom planeamento cultural, sobretudo quando o projetamos no longo prazo (lembramos que o horizonte proposto é 2030) e quando nos situamos numa cidade como Braga, onde quase tudo está por fazer.



segunda-feira, 7 de setembro de 2020

ENTRE ASPAS "Braga: temos uma feira do livro ou uma loja digital?"

Uma Feira de Livros é um espaço urbano, de preferência, onde durante um determinado período de tempo se agrupam dezenas de livreiros e editores, instalados em stands com as suas edições ou livros de outros editores, vendendo com descontos mais ou menos apelativos.


Temos aqui, num só texto, duas ações contrárias: uma crítica severa a esse ludíbrio grosseiro de converter uma plataforma digital numa “feira do livro” e um apelo positivo para que essa plataforma se mantenha ativa e disponível para livreiros e editores que dela precisem e assim beneficiando o empreendedorismo cultural e um público disperso pelas várias partidas da terra.

Estamos perante uma ideia boa que pode ser mesmo útil e impactante, mas que pode também reduzir-se ao mais triste e grotesco show-off.

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Entre Aspas"Visão Estratégica e Direito à Cidade"

O documento Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica e Social de Portugal 2020-2030, apresentado a 21 de julho de 2020, será a base para o Plano de Recuperação a apresentar por Portugal à Comissão Europeia, com vista à utilização dos fundos europeus disponíveis.  




 

Há no documento referências específicas a Braga. Nas suas páginas, sobre a cidade, dedica a maior parte da atenção às questões da “mobilidade” e do “ambiente”. Deixa apenas um curto parágrafo para política habitacional.

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Manuel Sarmento alerta para vertentes do desenvolvimento económico e social do país ausentes no documento e alerta para a importância estratégica da requalificação urbana, como projeto público da máxima prioridade, pela qual passa o nosso futuro demográfico, o nosso bem-estar social e o nosso progresso económico.


Consultar: 

Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica e Social de Portugal 2020-2030 (documento)

quarta-feira, 22 de julho de 2020

ENTRE ASPAS "Recolhimento das Convertidas: olhares cruzados"

O edifício "Recolhimento das Convertidas", em Braga, foi inaugurado em 1722 como espaço de acolhimento de mulheres.
A fachada barroca, que vemos da Avenida Central, esconde um interior que surpreende quem o visita. A descrição sobre este edifício, disponível na página da DGPC, é esclarecedora sobre a sua importância à época e sobre as razões que levaram à sua classificação, em 2012, como monumento de interesse público com uma zona especial de proteção (ZEP), que inclui edifícios contíguos.
O interior desenvolve-se em torno de um pátio em forma de U, em redor do qual existem dois pisos com pequenas celas/quartos de recolhimento de mulheres, pequenos e muito simples. A capela barroca, de planta retangular, com teto abobadado pintado com motivos decorativos, tem gelosias no coro-alto por onde as mulheres assistiam à missa e outras celebrações sem serem vistas.
É um edifício que, segundo a DRCN, possibilita um restauro praticamente integral sob o ponto de vista arquitectónico. 
A ZEP do Recolhimento das Convertidas foi definida tendo em vista a proteção do monumento que, segundo a DRCN, "se insere numa área da cidade de Braga perfeitamente consolidada e faz parte integrante de uma frente contínua que limita a avenida Central de Braga, onde existem outros edifícios de valor arquitectónico, com importância e valor variável, mas que constituem um enquadramento que contribui para a valorização do imóvel". Daí que a DRCN tenha incluído a frente urbana da Avenida Central na ZEP do monumento.
Esperava-se, por isso mesmo, que a DRCN actuasse de modo a proteger a área abrangida pela ZEP do monumento. O que, para surpresa nossa, não aconteceu, uma vez que deu parecer favorável à construção de um hotel de grande volumetria, com cinco pisos, contíguo ao Recolhimento das Convertidas. 
O edifício desperta, a quem o visita, sensações fortes, na medida em que os espaços pequenos das celas, os corredores estreitos, o pátio em U e logradouro, convidam a imaginar o quotidiano das mulheres que lá habitavam.
O texto de Isabel Cristina Mateus  convida-nos a recuar no tempo...


segunda-feira, 6 de julho de 2020

ENTRE ASPAS "Redes de Bibliotecas e património documental: que memória para as bibliotecas escolares?"

Lugares de memória por excelência, é papel das bibliotecas escolares reivindicarem a preservação e divulgação do património bibliográfico e documental das instituições de ensino e da comunidade que servem, em colaboração com as bibliotecas públicas, que agregam e alargam o potencial de cada uma. Eis um desafio de inovação a partir desse lugar de afecto e abrigo da memória que a ASPA não quer deixar de propor às bibliotecas escolares e às suas redes.


A título de exemplo apresentamos dois postais preservados para o futuro: um, do Liceu Sá de Miranda, em Braga, que nos remete ao passado (Biblioteca Pereira Caldas, Escola Secundária Sá de Miranda); outro, mais recente (2002), da Escola EB2/3 Frei Caetano 
Brandão (AE de Maximinos, em Braga) resultado de um projeto interdisciplinar ,centrado na floresta de carvalhos, que envolveu alunos de 3º ciclo na descoberta da biodiversidade vegetal e animal autóctone.   



segunda-feira, 22 de junho de 2020

ENTRE ASPAS "Os espaços verdes urbanos em contexto de alterações climáticas"



Num dia em que, por coincidência, a temperatura foi superior a 30ºC, em Braga,  o texto publicado na coluna Entre Aspas, de Miguel de Maria Brito (Arqº Paisagista)  e Isabel de Maria Brandão (Engª Agrónoma), é um alerta para a importância de as cidades se prepararem para fenómenos climáticos extremos.





Importa perceber as razões pelas quais existem Estratégias Municipais Municipais  de Adaptação às Alterações Climáticas e por que motivo é urgente passar à prática, adotando  medidas articuladas em cada território concelhio:
"Em consequência das atuais manifestações de alterações climáticas, os principais fatores de risco nas zonas urbanas são, entre outros, o calor excessivo e a modificação dos padrões de precipitação. Ao aumento da temperatura global, acresce o aumento da temperatura em consequência da urbanização (efeito de ilha de calor urbano). Este calor será tanto menor quanto maior for a área de espaços verdes e menor a densidade de construção, uma vez que é causado, principalmente, pela cobertura do solo com materiais impermeáveis e absorventes de calor, como a pedra, o cimento e o asfalto. A previsão de diminuição da precipitação total, comum aos países do sul da Europa, representa uma preocupação a nível da garantia do abastecimento de água de boa qualidade e pode ter consequências na saúde das pessoas, na preservação dos ecossistemas e biodiversidade e, naturalmente, na economia."


Miguel Maria Brito e Isabel Mourão, são autores do Manual de Boas Práticas-Desenho e Gestão de Espaços Verdes em cenário de Alterações Climáticas, Editado pela Empresa Municipal de Ambiente de Cascais e disponível on-line. Neste manual é apresentada a evolução do clima em Portugal, causas e efeitos da emissão de gases de efeito de estufa, causas e consequências das alterações climáticas e seu impacte nas cidades (calor excessivo, modificações do regime de vento, dos padrões de precipitação, etc.), contributo dos espaços verdes urbanos para a adaptação às alterações climáticas (serviços do ecossistema e seus indicadores), diversidade de espaços verdes na cidade (jardins, ruas verdes, paredes verdes, coberturas verdes, corredor verde ribeirinho, hortas, parques de estacionamento material permeável, espaços de enquadramento, etc.) e recomendações para a sustentabilidade dos espaços verdes face às alterações climáticas. 

Planeamento, desenho, implementação e gestão de espaços verdes urbanos, são assumidos como parte da Estratégia Municipal de Adaptação às Alterações Climáticas (EMAAC).



Consultar:


domingo, 14 de junho de 2020

ENTRE ASPAS "Memória para todos: o papel das bibliotecas"

Manuela Barreto Nunes, bibliotecária, alerta para a crise em que se encontram as bibliotecas públicas devido ao abandono por parte do Ministério da Cultura, o que "motivou uma recente carta aberta à Ministra da Cultura, promovida por um conjunto de bibliotecários e subscrita por mais de um milhar de cidadãos, entre os quais artistas, escritores e investigadores, chamava a atenção, entre outros aspectos, para a importância das bibliotecas na recolha e valorização do património cultural imaterial e da memória local, enquanto “elementos estruturantes da identidade das comunidades” e, nesse contexto, da constituição e valorização dos Fundos Locais, colecções de documentos que preservam e promovem a memória e a identidade das comunidades, contribuindo para a coesão social e o desenvolvimento local e regional."
Relembra que "...a Rede de Bibliotecas de Leitura Pública do Cávado, constituída no âmbito da respectiva Comunidade Intermunicipal, obteve um pequeno financiamento no âmbito do programa PADES, acima referido, para a criação de uma Biblioteca Digital do Cávado. Com o nome de AquaLibri, esta biblioteca digital, que ainda este ano abrirá as suas portas virtuais, disponibilizará em acesso aberto e gratuito as colecções de imprensa local, livro antigo, monografias locais de há muito esgotadas, documentos efémeros, fotografias e recursos sonoros e audiovisuais que testemunham a vida das comunidades. Desenvolvida seguindo o espírito da participação cidadã, estimulará a colaboração das populações através do depósito de documentos das suas próprias bibliotecas e espólios particulares, ou dos testemunhos que vão recolhendo na actividade do dia-a-dia, contribuindo assim para a preservação e a divulgação da memória colectiva. 
Talvez aqui, através da cooperação intermunicipal, se anteveja um novo futuro para as bibliotecas públicas e para os seus fundos locais e patrimoniais."

terça-feira, 26 de maio de 2020

ENTRE ASPAS: "PATRIMÓNIO CULTURAL: TEMA & VARIAÇÕES"

Ademar Ferreira dos Santos (1952-2010) deixou-nos abruptamente fez 10 anos no passado dia 22. Foi um dos grandes protagonistas da vida da ASPA e continua a fazer-nos muita falta. Entendemos recordá-lo na coluna Entre Aspas, no Diário do Minho, para a qual o Ademar escreveu largas dezenas de textos, tornando de novo público um dos seus escritos um tanto esquecido, mas que mantém uma actualidade plena. Trata-se do prefácio ao volume das “Conclusões” do 2º Encontro das Associações de Defesa do Património Cultural e Natural, realizado em Braga em Abril de 1981, do qual ele foi o secretário-geral e um dos grandes animadores.

"PATRIMÓNIO CULTURAL: TEMA & VARIAÇÕES"
Pretexto de ocupação dos tempos livres? Passatempo para a terceira-idade? Capricho estético-cultural de novas seitas de iluminados? Culto da miséria e da pobreza? Fobia do progresso? Tentação pela aurea mediocritas? Saudosismo? Revivalismo? Reaccionarismo? Terapia de grupo? 
Num juízo apressado, tais qualificativos podem servir (e têm, efectivamente, servido) para caracterizar, subvalorizando, todos os programas e projectos de salvaguarda, recuperação e revitalização do nosso património cultural. Mas num país predisposto a rejeitar, por sistema, tudo aquilo que é novo e em que a inércia colectiva só consente tréguas ao discurso fácil do deve & haver e à dinâmica subterrânea dos pequenos negócios e das grandes negociatas — aquelas críticas não surpreendem. A História em bruto não tem qualquer valor de mercado e cultura, sim, mas devagar! País pobre não pode viver, eternamente, a saracotear-se ao espelho e da grande História o povo só apreende... a necessidade da multiplicação dos pães. Dizem... Só que... Só que ninguém vive em permanente conflito com a sua memória, com os seus olhos, com o seu passado. Porque tudo o que é presente e futuro traz dentro de si, a marcá-lo, urna história. E sem raízes bem sólidas e bem fundas, não há árvore de porte altivo ou discreto que se segure de pé. Além do mais, porque é pelas raízes que ela se alimenta e ganha força para se afirmar. 
Os povos são como as árvores. Se cortam com as suas raízes, mais tarde ou mais cedo, estiolam, tornam-se dependentes do acaso, paralisam. Defender o património cultural dum povo — é, precisamente, como que proteger as raízes de uma árvore, é garantir, mais do que o seu presente, o seu futuro, o seu alimento. O progresso tem rosto. Tem um cartão de identidade. Tem um corpo e uma alma. E se queremos continuar a dizermo-nos portugueses e povo independente — essas componentes do progresso terão de ser... genuinamente portugueses. Isto é, o progresso terá de ir beber às origens (às raízes da nossa cultura e da nossa história) — a sua matriz própria, as suas impressões digitais, a sua assinatura, o seu retrato. Poderemos ser pobres, a carência de meios e a falta de recursos poderão ser dramáticas, a dívida externa poderá piscar o olho à bancarrota. Mas há uma riqueza muito elementar que temos e devemos preservar a todo o custo e rentabilizar — a de sermos portugueses e portadores ou herdeiros de uma cultura antiga e sui generis. Uma cultura que não é susceptível de avaliação em dólares ou marcos, que não é alienável. Porque não queremos viver, como povo, «sem tecto, entre ruínas», mobilizámo-nos para reconstruir, recuperar e dar uma nova vida ao nosso património. Para salvar o nosso passado. A nossa História. A nossa cultura. O nosso bilhete de identidade — passaporte para o futuro. 
Nas escolas, a juventude vai descobrindo, talvez, como se ligam as árvores à terra. Como se alimentam e se firmam de pé. Mas alguém ensinará essa juventude como se liga o presente colectivo ao nosso passado, à nossa história? Alguém lhe ensinará como do conhecimento e da recuperação das nossas raízes culturais depende o futuro? Estarão os programas e os currículos sintonizados com essa urgência nacional de preservação e valorização da nossa herança cultural? Estarão os professores atentos e sensibilizados para a necessidade imperiosa de defesa e divulgação do nosso património? Para a necessidade de recuperação e reabilitação dos centros históricos das nossas cidades e vilas? Para a necessidade de afirmação de uma outra e bem diferente «qualidade de vida»? Para a necessidade de protecção, divulgação e estímulo da nossa riquíssima cultura popular? 
Um mundo de questões e de dúvidas — e a certeza de que há uma verdadeira revolução no ensino por fazer. 
Com efeito, é nas escolas que se joga e se decide o nosso futuro (a nossa independência) como povo. É nas escolas que se traça o destino da nossa cultura, do nosso património. 
Bem pouco valerão os esforços do governo, do parlamento, das autarquias, das associações — se as escolas e os programas de ensino estiverem de costas voltadas para o homem, para o meio, para a cultura e a crítica, para a vida. 
Não basta descentralizar o executivo, regionalizar e desburocratizar o poder — é imperioso e urgente, antes de mais, nacionalizar e humanizar o nosso ensino. Pô-lo ao serviço da nossa história, do nosso presente e do nosso futuro. Ao serviço dos efectivos interesses do nosso povo, da nossa cultura. 
Progresso, sim, e depressa (naturalmente) — mas vestido das cores de Portugal e à medida do nosso corpo. Equilibrado. Harmónico. Saudável. 
E por mais voltas que dermos, a uma conclusão muito singela acabaremos sempre por chegar — é nos bancos das escolas que melhor se defende e assegura o futuro do nosso património cultural e natural. 
Depois da escola, a associação. A teoria e a prática que se interpenetram 
A associação não se substitui ao Estado, nem pretende confiscar-lhe as competências e as responsabilidades. A ela, cabe um papel supletivo, complementar — quer em relação aos poderes públicos, quer em relação às escolas. 
Em relação aos poderes públicos, porque lhes cabe a vigilância, o rastreio, a denúncia das situações de crise; porque lhe compete o controle permanente da intervenção do Estado ou da sua inércia; porque pressiona os organismos oficiais, faz propostas, sugere soluções, apoia ou critica a resolução dos problemas concretos. 
Em relação às escolas, porque lhes fornece a experiência imprescindível duma prática local de prevenção e sensibilização; porque constitui um espaço privilegiado de intervenção e animação culturais e de reflexão colectiva; porque prolonga a aprendizagem escolar e sintoniza-a com as exigências concretas do meio; porque organiza os esforços de todos aqueles que não aceitam defender o património apenas por palavras e querem, coerentemente, passar à acção. Concebida deste modo, a associação de defesa do património desempenha um papel e cumpre uma função de primordial importância e merece, por isso, todo o apoio quer da parte do Estado, quer da parte das populações. 
Se a expressão «património cultural» tem hoje algum sentido útil e faz já parte da linguagem corrente da grande maioria dos portugueses — tal deve-se, sem sombra de dúvida, à acção eminentemente pedagógica que tem sido desenvolvida, desde 1976 e por todo o país, pelas Associações de Defesa do Património. Em cinco anos, as ADPs alargaram extraordinariamente o seu campo de intervenção e o seu espaço de influência, contribuíram para o salvamento e a recuperação de um sem-número de bens e valores patrimoniais, apoiaram o governo e as autarquias com centenas de propostas e sugestões, sensibilizaram milhares e milhares de portugueses para a necessidade de preservação da nossa herança cultural. Não será, por isso, decerto muito fácil encontrar em Portugal corrente associativa que tenha desenvolvido em tão curto espaço de tempo uma actividade tão fecunda e uma acção tão mobilizadora. Infelizmente, nem sempre os poderes públicos têm dado ouvidos às propostas e sugestões das ADPs e muito do trabalho das associações tem-se perdido por incúria, desleixo, ignorância ou má vontade dos organismos oficiais. Oxalá que com as presentes Conclusões não suceda o mesmo. 


Ademar Ferreira dos Santos
Braga. Outubro de 1981.
Visita da ASPA ao Mosteiro de Rendufe
Salão Egípcio. Ação no âmbito do pedido de classificação

Mais informação sobre o "Mosteiro de Tibães":

terça-feira, 12 de maio de 2020

ENTRE ASPAS "Parque verde urbano: aguardamos esclarecimento"

Desde janeiro de 2019 que a ASPA insistiu, junto do Senhor Presidente da Câmara Municipal de Braga e do Senhor Vereador do Pelouro do Ambiente, no sentido da realização de um estudo fitossanitário e biomecânico atual, de modo a evitar o abate de árvores saudáveis, em espaço verde público de zonas residenciais urbanas, no âmbito da intervenção prevista para as freguesias de S. Vicente e S. Victor. 
Precisamos de árvores de grande porte, com espécies adequadas a ambiente urbano, que facilitem a circulação das pessoas em situação de calor extremo, contribuam para a melhoria da qualidade do ar e sejam suporte à biodiversidade.

Conhece a Estratégia Municipal de Adaptação às Alterações Climáticas? Consultar AQUI.

Alertas da ASPA sobre o parque verde urbano em Braga:

segunda-feira, 27 de abril de 2020

ENTRE ASPAS: Luís Costa, com Braga no coração.




Henrique Barreto Nunes relembra etapas da vida do Sr Luís Costa e inúmeros contributos, ao longo de décadas, para a divulgação do património bracarense. 
Porque, efetivamente, tinha Braga no coração.




sábado, 25 de abril de 2020

ABATE DE ÁRVORES EM BRAGA: conclusões do relatório da UTAD

Desde janeiro de 2019, que a ASPA insistiu, junto da CMB, no sentido da realização de um estudo fitossanitário e biomecânico atual, de modo a evitar o abate de árvores saudáveis em espaço verde público de zonas residenciais urbanas, conforme a CMB previa realizar nas freguesias de S. Vicente e S. Victor. 
Na reunião que então solicitámos ao vereador do pelouro do Ambiente, realizada a 7 de janeiro de 2019, questionámos a marcação de bastantes árvores nessas duas freguesias e tivemos conhecimento que estava previsto o abate de 123 árvores. Posteriormente, insistimos para que fosse realizado um estudo fitossanitário e biomecânico atual, que permitisse fazer um diagnóstico fiável sobre  a "saúde" do parque arbóreo na cidade.
Meses depois, a CMB acordou, com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), a realização do referido estudo.
Em junho de 2019, por convite da CMB, acompanhámos parte do trabalho de campo realizado pela equipa técnica da UTAD, liderada pelo Engº Luís Martins.  Percebemos que o número de árvores em risco era reduzido na freguesia de S. Victor e que, muito poucas árvores assinaladas a vermelho, pela CMB, para abate, tinham esse diagnóstico confirmado pelo estudo da UTAD.
Uma vez que a equipa da UTAD é constituída por especialistas na matéria, esperava-se que as conclusões do estudo fossem o suporte para a posterior decisão política relativa ao parque verde arbóreo urbano.
Entretanto, esta semana, fomos surpreendidos com notícias, nos jornais Público Diário do Minho, bem como no facebook da CMB, referindo o abate de cerca de 130 árvores, uma decisão política que, segundo a notícia, "é suportada por um relatório pedido à Universidade de Trás-os Montes e Alto Douro (UTAD)". 
Porém, a consulta dos cinco relatórios da UTAD, disponibilizados no dia 21 de abril, através do facebook da CMB, permite concluir que, num total de 288 árvores estudadas, a  UTAD aconselha:
  • 151 árvores sem intervenção;
  • o abate de 31 árvores;
  • a retirada de 8 árvores mortas, no Parque da Ponte;
  • o tratamento fitossanitário a 4 árvores;
  • poda (arejamento, formação, manutenção ou segurança)  a 94 árvores.
Assim, não se compreende que, havendo um estudo criterioso das árvores indicadas pela CMB, realizado com base em técnicas atuais, a decisão política seja o abate de 130 árvores, conforme referido nas notícias. O estudo foi realizado a árvores indicadas pela CMB, nos seguintes locais:
  • Largo do Cemitério do Monte de Arcos (3 abates; 3 tratamento fitossanitário)
  • Av. Central (6 abates) 
  • Rua Prof Machado Vilela (5 abates)
  • Av 31 de janeiro (5 abates)
  • Campo das Carvalheiras (4 abates)
  • Rua do Cantinho (0 abates)
  • Parque da Ponte (8 abates; 8 árvores mortas)
Não há dúvidas de que as espécies arbóreas de grande porte constituem um excelente contributo para a minimização do impacto das alterações climáticas, quer nas pessoas, quer nos edifícios e estruturas públicas. A CMB considera que este é "um tema absolutamente prioritário e é fundamental agir de modo rápido e eficaz para evitar, no futuro, problemas graves que ponham em risco as comunidades". A Estratégia Municipal de Adaptação às Alterações Climáticas prevê:

  • a necessidade da monitorização  do estado sanitário do parque arbóreo;
  • a reabilitação de galerias ripícolas; 
  • a promoção do ordenamento e gestão florestal; 
  • a introdução de elementos de sombreamento, com base na vegetação, nas ruas mais abertas e movimentadas; 
  • a criação de jardins de infiltração/bacia de retenção/reconversão de pavimentos impermeáveis;
  • etc. 
Alertas sobre esta problemática:

GRÂNDOLA, VILA MORENA: uma homenagem ao Cante Alentejano



"Milhões de pessoas no mundo reconhecem a "Grândola", Hino da Revolução Portuguesa. O que pouca gente sabe é que a "Grândola" é uma homenagem ao Cante, uma das tradições musicais mais importantes de Portugal." (texto retirado do video). 

Assim, o 25 de Abril está/estará associado ao Cante Alentejano. Que, em 2014, foi classificado pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade.

domingo, 12 de abril de 2020

ENTRE ASPAS: "Fique em casa! Então faça a sua horta onde estiver, pois estamos na Primavera!"

Os autores deste texto colocam um desafio às famílias, no sentido de criarem hortas em suas casas, em especial a quem vive em apartamentos e nunca aproveitou o espaço das suas varandas nesse sentido. Quem, em 2021, tem o privilégio de ter quintal, e não teve a oportunidade de criar a sua horta, pode aproveitar para a criar enquanto está em casa, em isolamento social. 

Estamos na Primavera, período do ano em que se fazem sementeiras e plantações. Este é o momento para dar atenção às sugestões que os autores nos apresentam, criando um espaço que permitirá ocupar o tempo e acompanhar o ciclo de vida das plantas. Mais tarde terá o prazer de saborear legumes da sua horta e colher ervas aromáticas frescas para melhorar o paladar das refeições: salsa, hortelã, cebolinho, tomilho, salvia, ... e, até, loureiro e alecrim, se tiver espaço razoável. Irá (re)descobrir paladares bem mais agradáveis do que quando compra alimentos produzidos em agricultura intensiva.
Para as crianças será um espaço descoberta, onde irão perceber que é da terra que obtemos a maior parte dos nossos alimentos, de forma direta ou indireta. Irão descobrir o ciclo de vida das plantas, desde a sementeira à colheita, e perceber que são precisos cuidados diários para obter produtos de qualidade. E aprenderão a valorizar os alimentos de origem vegetal, que são essenciais para a saúde e bem-estar.



Em "A Minha Horta é Biológica" os autores apresentam 43 fichas de culturas hortícolas, plantas aromáticas e flores comestíveis. 

Entretanto, enquanto estamos isolamento social, poderá consultar:



segunda-feira, 30 de março de 2020

ENTRE ASPAS "O exercício da cidadania em defesa da saúde pública"

A cidadania é o conjunto de direitos e deveres civis, políticos e sociais que cada cidadão deve exercer. Exercer a cidadania significa ter consciência dos seus direitos e deveres e atuar, a nível local, nacional ou internacional, para que a justiça possa ser garantida. Assim, a ação cidadã implica a atuação, no quotidiano de cada um de nós, para que os direitos individuais e coletivos sejam assegurados. 
Cidadania é também o cumprimento de deveres individuais de modo a garantir que os direitos comuns não sejam prejudicados.
Assim, em contexto de pandemia, temos o dever de atuar de acordo com as orientações da Direção Geral de Saúde (DGS).
A causa comum, hoje, é a luta contra o SARS-CoV-2, o coronavírus que originou a pandemia conhecida pelo nome da doença: COVID-19. Este é um inimigo invisível que pode estar em qualquer local e, como tal, exige da parte de todos nós responsabilidade individual e esforço coletivo e continuado para o combater.
O isolamento social, a que alguns cidadãos aderiram antes da declaração do estado de emergência, tinha em vista evitar uma propagação descontrolada, rápida e catastrófica deste coronavírus.
No combate a esta pandemia é essencial que ninguém tenha dúvidas do risco a que estamos sujeitos e do esforço individual e coletivo que é necessário.

Uma novidade desta pandemia: as novas tecnologias, em especial a web. 
Estão disponíveis toda uma série de ferramentas que felizmente permitem uma rede de contactos à distância, o que é um importante contributo para atenuar o stress do confinamento em casa, assegurando vídeo conferências, o tele-trabalho, etc.
Por enquanto as operadoras garantem que conseguem manter a fluidez do tráfico. Mas também é verdade que nesta área é necessário cumprir o dever cívico de não utilizar de modo excessivo a internet, para que não se registem quebras de rede devido a picos excessivos de consumo. 
Este é um momento de aprendizagem para todos.
EM QUE A CIDADANIA DEVERÁ SER O LEMA!

terça-feira, 17 de março de 2020

ENTRE ASPAS "VIOLA BRAGUESA - uma herança cultural com futuro"

A Viola Braguesa pertence hoje ao grupo das 8 Violas de Arame Portuguesas. 
O processo de certificação da Viola Braguesa foi concluído em 2017, com publicação, em Diário da República, em 13 de janeiro de 2018. O pedido de registo da produção artesanal foi apresentada pela Câmara Municipal de Braga, sendo o processo organizado pela Adere-Minho.
        
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terça-feira, 10 de março de 2020

FÁBRICA CONFIANÇA: o que nos esconde o local da fábrica e a envolvente?

O entre aspas "Fábrica Confiança: estudo exaustivo do edificado e do subsolo",  publicado a 2 de março, e os textos de Luís Fontes, publicados a 4 e 5 de março, contribuíram para o esclarecimento da opinião pública sobre a importância da Fábrica Confiança, e da envolvente, para o conhecimento da História do Concelho de Braga. 
E para o esclarecimento sobre as condicionantes a que está sujeita esta zona da cidade.



      

segunda-feira, 2 de março de 2020

ENTRE ASPAS "FÁBRICA CONFIANÇA: estudo arqueológico exaustivo do edificado e do subsolo"

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No município de Braga regista-se um expressivo número de monumentos classificados ou em vias de classificação (ao todo 68, alguns deles desde 1910). Na verdade, condições geográficas muito específicas, designadamente o relevo granítico (permitindo a formação de água no subsolo e de fontes naturais), a pluviosidade regular, os invernos amenos, o posicionamento entre as bacias hidrográficas dos rios Ave e Cávado, entre outros aspectos, favoreceram uma densa ocupação do território ao longo de milénios. O número de locais protegidos por lei documenta muito parcialmente o amplo espectro cronológico da História do concelho, bem como a sua centralidade no contexto geográfico de Entre Douro e Minho.
No conjunto de monumentos classificados predominam os que se inserem no âmbito da Proto-História, da Época Romana, da Idade Média, do Renascimento e do Período Barroco, correspondendo a momentos significativos da história da urbe bracarense e dos seus arredores
Contudo, também na Idade Contemporânea, a cidade de Braga foi um dinâmico centro comercial e industrial. De facto, esta outra vertente do legado histórico, que urge proteger e conservar, tem sido pouco contemplada e, talvez por isso, alguns imóveis como, por exemplo, o Palacete Mattos Graça, os Antigos Correios, ou magníficos prédios de Arte Nova já desapareceram, ou foram profundamente alterados. Também foram destruídos equipamentos interessantes e com qualidade estética como sucedeu com o Reservatório de Água do Alto da Cividade. 
Neste contexto, a Fábrica Confiança destaca-se, não só porque se insere no âmbito da Idade Contemporânea, como também pelo seu significado na memória urbana e, mesmo, pelo seu valor intrínseco, designadamente pela sua fachada, cuja linhas depuradas revelam a funcionalidade do imóvel.
Recordamos que outros testemunhos dos primórdios da Indústria da cidade já foram destruídos, como a Fábrica Social Bracarense, pelo que é indispensável conservar o que resta.
Aliás, a Fábrica Confiança carece de um amplo estudo de Arqueologia Industrial, de modo a que seja averiguado como foi construída, os materiais utilizados, as alterações que se verificaram ao longo do seu funcionamento como unidade produtiva. Pelo que são necessários trabalhos arqueológicos não só na vertical (exº: estudo das paredes e argamassas) como também sondagens orientadas para se estabelecer o modo como foram assentes os alicerces do edificado, o sistema de drenagem, a implantação da maquinaria. E, paralelamente, estudos completos do estado de conservação das estruturas (fachadas, pavimentos, pilares, etc.) na sequência do trabalho de Mafalda Mendes Guimarães (intitulado: Industrial heritage in Northern Portugal. The example of Fábrica Confiança) (2014)disponível “on line”.
Por outro lado, deve ser assinalado que, tanto sob o piso da fábrica como nos terrenos anexos é provável que se conservem vestígios da paisagem cultural envolvente da antiga urbe romana, uma vez que o imóvel fica no traçado da Via XVII, que ligava a Bracara a Asturica.
Das duas vias oriundas do interior norte da Península, a mais antiga evitava a zona montanhosa a oeste de Asturica e dirigia-se para Bracara por Aquae Flaviae (Chaves). Foi construída no tempo de Augusto. No itinerário de Antonino, é referida como a Via XVII. A Via Nova (Bracara - Gerês/Xures - Bergidum Flavium) é posterior (dinastia dos Flávios).
O traçado da Via XVII no concelho de Braga conservou-se relativamente bem, apesar das urbanizações que asfixiaram a cidade antiga, pois o caminho romano funcionou como principal ligação entre Braga, Chaves e Bragança ao longo de dois milénios. O local da saída da VIA XVII foi claramente identificado nos trabalhos arqueológicos efectuados no antigo edifício dos CTT, na Avenida da Liberdade. Ao longo dos primeiros duzentos metros da via estendia-se uma vasta necrópole, com sepulturas datáveis entre o Alto Império e a Antiguidade Tardia.
O ponto seguinte de passagem da via era o Largo da Senhora a Branca, onde também foi localizada uma extensa necrópole, com um elevado número de sepulturas. O caminho prosseguia em direcção ao Largo de São Vítor. Aqui, a sul da Igreja, foi descoberta uma terceira necrópole com enterramentos do Alto Império e da Antiguidade Tardia. Admite-se que do outro lado da via, no local, a norte, onde se levanta a antiquíssima igreja, existiria uma villa. Mais para leste, no contexto da urbanização da Quinta das Goladas foi descoberto, em 1985, um miliário do imperador Tibério, o sucessor de Augusto. A inscrição está completa, destacando-se o registo da Milha I a Bracara Augusta. Este marco foi encontrado na distância certa, pois entre o local do achado e o início da Via medeiam, aproximadamente, cerca de 1500 metros. A distância entre a Casa das Goladas e a Fábrica Confiança é de apenas 260 metros, se tanto. O traçado do caminho, até à Quinta dos Peões (topónimo expressivo), onde ficaria a milha II, passava a norte da capela de São Vítor o Velho, seguindo pela rua do mesmo nome (cruzando o pontilhão das Goladas). Percurso interrompido pelo edificado da Fábrica Confiança, retomado na Rua do Pulo e seguindo pelo sector leste da Rua Nova de Santa Cruz (a qual até ao século XVIII se denominava Rua das Goladas)2
As vias romanas articulavam-se com o território. Ao longo dos caminhos, em especial dos principais, estabeleciam-se uma série de edifícios. Públicos e privados. Bracara era uma grande cidade, capital de conventus no Alto Império e de província na Antiguidade Tardia (a Gallaecia). Os arredores do núcleo urbano eram densamente povoados, com inúmeros edifícios de dimensão e funções variáveis. 
Grande parte dos terrenos em que teria sido oportuno realizar prospeções de superfície e sondagens já se encontram ocupados por extensas urbanizações, com revolvimentos profundos sem que tivesse havido o necessário acompanhamento arqueológico.
Sendo assim, no espaço da Fábrica Confiança deverão ser realizadas minuciosas sondagens no subsolo. Podem ser detectados, além do caminho antigo, vestígios de uma villa, de viae vicinalis e privatae (a rede de caminhos que dava acesso a estruturas rurais e aos campos, do tipo que foi registado a norte da Estação da CP de Braga), do cadastro romano, de vestígios de antigos espaços de cultivo (como a vinha) ou mesmo de um aqueduto, como por exemplo se verificou no Campus de Gualtar, ao construir-se a Escola de Direito.
Recordamos que o espaço da Confiança fica próximo da ribeira que descia da Sete Fontes para o rio Este. Lembramos também a proximidade da já mencionada Capela de São Vitor o Velho, a que estão ligadas veneráveis tradições e lendas.  

A Confiança é o espaço privilegiado para ser não só um Museu de História da Indústria, um laboratório de Arqueologia Industrial e de reabilitação de edifícios da Idade Contemporânea, mas também para albergar um centro interpretativo da Via XVII como eixo de ligação entre o litoral e o interior, ao longo de dois milénios. 
Mas também outras valências culturais

Felizmente encontra-se em vias de classificação como Monumento de Interesse Público!
2- conforme apurou Eduardo Pires de Oliveira