INTERVENÇÃO CÍVICA EM DEFESA DO PATRIMÓNIO

A ASPA criou este blogue em 2012, quando comemorou 35 anos de intervenção cívica.
Em janeiro de 2025 comemorou 48 anos de intervenção.
Numa cidade em que as intervenções livres dos cidadãos foram, durante anos, ignoradas, hostilizadas ou mesmo reprimidas, a ASPA, contra ventos e marés, sempre demonstrou, no terreno, que é verdadeiramente uma instituição de utilidade pública.
Numa época em que poucos perseguem utopias, não queremos descrer da presente e desistir do futuro, porque acreditamos que a cidade ideal, "sem muros nem ameias", ainda é possível.

terça-feira, 24 de novembro de 2020

ENTRE ASPAS "Braga e o Centro Histórico. Os Largos"

Ampliar
 
Neste texto, Francisco Sande Lemos  "orienta" uma "visita" rápida ao passado que nos permite compreender aspetos da evolução urbana de Braga. 

"O Centro Histórico possui hoje uma rede de largos, que conferem à cidade uma matriz peculiar em que alternam as ruas com praça, sendo talvez esta trama um dos principais encantos do centro de Braga"

"... os largos são pontos de descompressão urbana. Por isso mesmo justificam um carinho especial por parte da edilidade".

Focaliza-se no Largo Carlos Amarante, "... que talvez seja o que está menos cuidado e mais ferido"



terça-feira, 10 de novembro de 2020

ENTRE ASPAS "Património Cultural Edificado do Concelho: alteração ao Código Regulamentar de Braga

Entre aspas
Ampliar

Na sequência da intervenção que a ASPA tem mantido, e reconhecendo o interesse da discussão pública das alterações ao Código Regulamentar de Braga - parte D - Centro Histórico, foi entendimento, da associação, apresentar ao Município um conjunto de notas e sugestões que visam um melhor alcance, operacionalidade e eficácia do Documento, participação de que damos conhecimento público.

Neste texto relembramos um conjunto de alertas que a ASPA tem efetuado ao município de Braga, no sentido da salvaguarda e valorização do edificado, praças e ruas históricas, tanto na vertente da urgência da sua classificação de âmbito concelhio, como reclamando competência e rigor na análise de projetos que têm em vista a intervenção em edifícios de valor arquitetónico ou integrantes de conjuntos de importância patrimonial relevante, como ainda no apelo ao exercício da fiscalização de obras (múltiplas vezes realizadas ao arrepio dos projetos aprovados) e à exigência de afixação de avisos em edifícios e locais para os quais se encontra em curso a elaboração de estudos e projetos de intervenção.

terça-feira, 29 de setembro de 2020

ENTRE ASPAS "O Largo Paulo Orósio e a estratégia urbanística para a cidade de Braga"

Ampliar
Será que quem habita em Braga dispõe de informação que lhe permita recuar no tempo e imaginar a cidade de um passado mais longínquo
?   É esse recuo, no tempo, que Francisco Sande Lemos nos proporciona com este texto, em que reune informação que falta à maior parte das pessoas que percorrem as ruas e praças desta cidade histórica.
Hoje em dia as cidades distinguem-se pela sua genuinidade, pelo legado que souberam preservar e valorizar. Daí que o conhecimento da cidade do passado deva ser o suporte para decisões a tomar no presente, de modo a garantir um futuro sustentável.

Para o Largo Paulo Orósio nunca foi programada nenhuma escavação, apesar de ter sido o local do Forum da urbe. Porquê? 
A resposta é simples: o Projeto de Bracara Augusta nunca teve um financiamento científico expectável, tanto por parte do poder central como da Autarquia, apesar dos pedidos e insistências nesse sentido. Ampliar

O noticiado projecto de Hotel (previsto para o espaço Quartel) está condicionado pelo parecer do Gabinete de Arqueologia da Câmara Municipal de Braga, que determina sondagens arqueológicas prévias, em resultado das quais o projeto poderá ter que ser substancialmente alterado. O texto desse parecer será divulgado no blogue da ASPA.

Numa cidade histórica, como Braga, importa que a população conheça os espaços que escondem valores arqueológicos, para que compreenda o território e seja capaz de argumentar em sua defesa e divulgação.
Assim, a ASPA entende que se justifica um relatório semanal no website da Câmara Municipal de Braga, logo que os estudos previstos se iniciem, a fim de que a cidade os possa acompanhar.

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

ENTRE ASPAS "Em busca de uma estratégia cultural"


Ampliar
O planeamento da atividade cultural de uma cidade de média dimensão talvez não precise de mais do que duas ou três ideias simples e claras para se afirmar. Precisa, no entanto, que essas ideias, além de coerentes e vinculadas a uma estratégia que concilie curto, médio e longo prazo, sejam o resultado de uma discussão aberta, participada e assumidamente democrática. Um planeamento sério, que ambicione estruturar práticas, criar novos hábitos de consumo e mobilizar os agentes culturais, não pode deixar ninguém de fora, sendo indispensável resistir à captura por grupos de interesse particulares, bem como à imposição de limitações determinadas por qualquer circunstancialismo político.

São vários os requisitos para se conseguir um bom planeamento cultural, sobretudo quando o projetamos no longo prazo (lembramos que o horizonte proposto é 2030) e quando nos situamos numa cidade como Braga, onde quase tudo está por fazer.




quarta-feira, 19 de agosto de 2020

ENTRE ASPAS "Braga: temos uma feira do livro ou uma loja digital?"

Uma Feira de Livros é um espaço urbano, de preferência, onde durante um determinado período de tempo se agrupam dezenas de livreiros e editores, instalados em stands com as suas edições ou livros de outros editores, vendendo com descontos mais ou menos apelativos.


Temos aqui, num só texto, duas ações contrárias: uma crítica severa a esse ludíbrio grosseiro de converter uma plataforma digital numa “feira do livro” e um apelo positivo para que essa plataforma se mantenha ativa e disponível para livreiros e editores que dela precisem e assim beneficiando o empreendedorismo cultural e um público disperso pelas várias partidas da terra.

Estamos perante uma ideia boa que pode ser mesmo útil e impactante, mas que pode também reduzir-se ao mais triste e grotesco show-off.

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Entre Aspas"Visão Estratégica e Direito à Cidade"

O documento Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica e Social de Portugal 2020-2030, apresentado a 21 de julho de 2020, será a base para o Plano de Recuperação a apresentar por Portugal à Comissão Europeia, com vista à utilização dos fundos europeus disponíveis.  




 

Há no documento referências específicas a Braga. Nas suas páginas, sobre a cidade, dedica a maior parte da atenção às questões da “mobilidade” e do “ambiente”. Deixa apenas um curto parágrafo para política habitacional.

Ampliar 







Manuel Sarmento alerta para vertentes do desenvolvimento económico e social do país ausentes no documento e alerta para a importância estratégica da requalificação urbana, como projeto público da máxima prioridade, pela qual passa o nosso futuro demográfico, o nosso bem-estar social e o nosso progresso económico.


Consultar: 

Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica e Social de Portugal 2020-2030 (documento)

quarta-feira, 22 de julho de 2020

ENTRE ASPAS "Recolhimento das Convertidas: olhares cruzados"

O edifício "Recolhimento das Convertidas", em Braga, foi inaugurado em 1722 como espaço de acolhimento de mulheres.
A fachada barroca, que vemos da Avenida Central, esconde um interior que surpreende quem o visita. A descrição sobre este edifício, disponível na página da DGPC, é esclarecedora sobre a sua importância à época e sobre as razões que levaram à sua classificação, em 2012, como monumento de interesse público com uma zona especial de proteção (ZEP), que inclui edifícios contíguos.
O interior desenvolve-se em torno de um pátio em forma de U, em redor do qual existem dois pisos com pequenas celas/quartos de recolhimento de mulheres, pequenos e muito simples. A capela barroca, de planta retangular, com teto abobadado pintado com motivos decorativos, tem gelosias no coro-alto por onde as mulheres assistiam à missa e outras celebrações sem serem vistas.
É um edifício que, segundo a DRCN, possibilita um restauro praticamente integral sob o ponto de vista arquitectónico. 
A ZEP do Recolhimento das Convertidas foi definida tendo em vista a proteção do monumento que, segundo a DRCN, "se insere numa área da cidade de Braga perfeitamente consolidada e faz parte integrante de uma frente contínua que limita a avenida Central de Braga, onde existem outros edifícios de valor arquitectónico, com importância e valor variável, mas que constituem um enquadramento que contribui para a valorização do imóvel". Daí que a DRCN tenha incluído a frente urbana da Avenida Central na ZEP do monumento.
Esperava-se, por isso mesmo, que a DRCN actuasse de modo a proteger a área abrangida pela ZEP do monumento. O que, para surpresa nossa, não aconteceu, uma vez que deu parecer favorável à construção de um hotel de grande volumetria, com cinco pisos, contíguo ao Recolhimento das Convertidas. 
O edifício desperta, a quem o visita, sensações fortes, na medida em que os espaços pequenos das celas, os corredores estreitos, o pátio em U e logradouro, convidam a imaginar o quotidiano das mulheres que lá habitavam.
O texto de Isabel Cristina Mateus  convida-nos a recuar no tempo...


segunda-feira, 6 de julho de 2020

ENTRE ASPAS "Redes de Bibliotecas e património documental: que memória para as bibliotecas escolares?"

Lugares de memória por excelência, é papel das bibliotecas escolares reivindicarem a preservação e divulgação do património bibliográfico e documental das instituições de ensino e da comunidade que servem, em colaboração com as bibliotecas públicas, que agregam e alargam o potencial de cada uma. Eis um desafio de inovação a partir desse lugar de afecto e abrigo da memória que a ASPA não quer deixar de propor às bibliotecas escolares e às suas redes.


A título de exemplo apresentamos dois postais preservados para o futuro: um, do Liceu Sá de Miranda, em Braga, que nos remete ao passado (Biblioteca Pereira Caldas, Escola Secundária Sá de Miranda); outro, mais recente (2002), da Escola EB2/3 Frei Caetano 
Brandão (AE de Maximinos, em Braga) resultado de um projeto interdisciplinar ,centrado na floresta de carvalhos, que envolveu alunos de 3º ciclo na descoberta da biodiversidade vegetal e animal autóctone.