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O acervo do Museu da Escola Sá de Miranda (MESM) integra o património histórico acumulado desde a fundação do Liceu Nacional de Braga, em 1836, instalado no edifício dos Congregados e frequentado maioritariamente por jovens provenientes da burguesia rural e de concelhos limítrofes. Este espólio foi posteriormente enriquecido, em 1921, com a incorporação do conjunto de materiais provenientes do Colégio do Espírito Santo, que funcionara na atual localização da escola entre 1872 e 1910. A partir de 1921, o mesmo espaço passou a acolher o Liceu Sá de Miranda, assegurando a continuidade da sua vocação formativa e científica no quadro do ensino liceal português.
Na sequência das reformas educativas iniciadas em 1836, o ensino liceal conheceu um processo de modernização curricular marcado pela crescente valorização das ciências naturais, da física e da química. Apesar das limitações materiais que caracterizaram grande parte do século XIX, foram progressivamente instituídos gabinetes científicos dotados de instrumentos, coleções e dispositivos experimentais destinados à observação direta e à demonstração dos fenómenos naturais. É neste enquadramento institucional e pedagógico que se compreende a constituição do espólio atualmente preservado, cuja análise permite reconstituir práticas pedagógicas, orientações curriculares e dinâmicas de atualização científica no decurso da história do ensino liceal.
Acervo e Prática pedagógica experimental do Ensino Liceal
Ao longo de mais de um século, a Escola reuniu instrumentos científicos, modelos didáticos e espécimes utilizados no ensino liceal, constituindo um acervo multidisciplinar, com objetos provenientes de fabricantes internacionais, que abrange domínios como biologia, física, química, geologia, paleontologia, geografia, eletrotecnia, etnografia, história, matemática e línguas. O exemplar mais antigo data de 1858, uma bobina de Ruhmkorff, testemunho da introdução precoce de dispositivos eletromagnéticos no ensino experimental.
O conjunto de materiais preservados evidencia a centralidade da observação direta e da demonstração experimental na cultura pedagógica liceal. Enquanto suportes materiais de ensino, estes recursos testemunham o papel da experimentação e da visualização na construção e transmissão do conhecimento científico em contexto escolar.
Atualmente, o MESM integra cerca de 900 objetos inventariados e 1040 mapas parietais, constituindo um conjunto representativo da cultura material do ensino experimental em Portugal. O processo de inventariação encontra-se ainda em desenvolvimento, prevendo-se a documentação de um número significativo de itens ainda não tratados museologicamente. No seu conjunto, o espólio constitui um sistema material de mediação do conhecimento científico, documentando a consolidação e institucionalização do ensino experimental entre os séculos XIX e XX.
Processo de musealização
Instituído em 2010, na sequência da requalificação do edifício escolar, o MESM visa assegurar a conservação, estudo e valorização do seu espólio histórico. O processo de musealização assenta na inventariação sistemática, catalogação e organização museológica do acervo, sustentadas por investigação científica, bem como em ações de conservação preventiva, registo fotográfico, documentação técnica e disponibilização de conteúdos no site institucional.
O MESM compreende um Salão de Exposição, núcleos distribuídos pelo Salão Nobre, Biblioteca Pereira Caldas, Sala de Geografia, Direção do Agrupamento e diferentes átrios, bem como uma reserva museológica constituída por armazém e arquivo.
Para além da sua função patrimonial, o MESM constitui um recurso pedagógico ativo. A exposição é regularmente visitada por turmas de diferentes níveis de ensino, proporcionando experiências de aprendizagem direta. No domínio das ciências naturais, os espécimes taxidermizados permitem a observação comparativa de características morfológicas e fenómenos como o dimorfismo sexual. Paralelamente, turmas da área de artes utilizam o espaço museológico como ambiente de observação e prática de desenho, explorando formas, volumes e texturas das peças expostas.
Trata-se de um projeto em desenvolvimento contínuo, que articula preservação patrimonial, investigação histórica e mediação pedagógica. A integração de recursos digitais, designadamente códigos QR que permitem o acesso às fichas técnicas dos exemplares, bem como exposições temporárias e publicações em formato de Newsletter, reforça a dimensão científica e comunicativa do espaço.
O MESM encontra-se aberto à comunidade educativa e ao público em geral, promovendo o acesso alargado ao património científico e pedagógico que preserva. A visita é de entrada livre, decorrendo em horário regular entre as 09h30 e as 17h30, nos dias úteis.
Ao evidenciar a relevância pedagógica, científica e patrimonial dos acervos escolares, o MESM contribui para a valorização da cultura material da educação e para a sensibilização das instituições de ensino quanto à necessidade de identificar e preservar coleções frequentemente armazenadas em condições precárias e suscetíveis de degradação. O projeto confere visibilidade ao espólio musealizado, à ampliação do Museu e à sua integração no currículo, afirmando-se como referência no domínio do património educativo e no estudo da materialidade do ensino científico.
A Equipa do Museu da Escola Sá de Miranda
As coleções científicas escolares são património científico nacional.
Espera-se que o testemunho do MESM seja um exemplo para outras escolas, de modo a que preservem e deem visibilidade a material que evidencia a cultura escolar de épocas passadas.
ASPA
