INTERVENÇÃO CÍVICA EM DEFESA DO PATRIMÓNIO

Em 2012 a ASPA comemorou 35 anos de intervenção em Braga. Criou, nessa data, este blogue.
Em 2017 comemorou 40 anos de intervenção.
Numa cidade em que as intervenções livres dos cidadãos foram, durante anos, ignoradas, hostilizadas ou mesmo reprimidas, a ASPA, contra ventos e marés, sempre demonstrou, no terreno, que é verdadeiramente uma instituição de utilidade pública.
Numa época em que poucos perseguem utopias, não queremos descrer da presente e desistir do futuro, porque acreditamos que a cidade ideal, "sem muros nem ameias", ainda é possível.

SETE FONTES

DEZEMBRO DE 2013
O novo executivo municipal suspende o PDM na área da ZEP das Sete Fontes.
Foi dado o 1º passo e há, finalmente, a esperança para o Monumento Nacional.

JUNHO DE 2015
O PDM aprovado na Assembleia Municipal de Braga prevê área de construção em ZEP do Monumento Nacional.
Novamente um futuro incerto para o Complexo das Sete Fontes?!

MARÇO de 2016
Publicada a Declaração nº16/2016, de 3 de março, que revoga o despacho que aprovou a constituição de faixa de reserva "non aedificandi" para o lanço da EN 103-Variante de Gualtar, entre o Nó do Hospital e o Nó Norte (Nó do Fojo).
É o fim da variante que atravessaria o Complexo das Sete Fontes e tanto preocupava os defensores do Monumento Nacional.

JULHO 2018
A CMB apresenta às associações e aos proprietários dos terrenos, o "Ponto da Situação e a Estratégia Executória para o Complexo Ecomonumental das Sete Fontes".

Março 2019
Sessão pública "Salvaguarda e Execução do Parque Ecomonumental das Sete Fontes. Apresentação dos estudos: hidrogeológicos, arqueológicos, urbanísticos e paisagísticos"

Fevereiro de 2021
Apresentação e discussão pública do Plano de Urbanização e do Projeto do Parque das Sete Fontes

segunda-feira, 30 de março de 2020

ENTRE ASPAS "O exercício da cidadania nem defesa da saúde pública"

A cidadania é o conjunto de direitos e deveres civis, políticos e sociais que cada cidadão deve exercer. Exercer a cidadania significa ter consciência dos seus direitos e deveres e atuar, a nível local, nacional ou internacional, para que a justiça possa ser garantida. Assim, a ação cidadã implica a atuação, no quotidiano de cada um de nós, para que os direitos individuais e coletivos sejam assegurados. 
Cidadania é também o cumprimento de deveres individuais de modo a garantir que os direitos comuns não sejam prejudicados.
Assim, em contexto de pandemia, temos o dever de atuar de acordo com as orientações da Direção Geral de Saúde (DGS).
A causa comum, hoje, é a luta contra o SARS-CoV-2, o coronavírus que originou a pandemia conhecida pelo nome da doença: COVID-19. Este é um inimigo invisível que pode estar em qualquer local e, como tal, exige da parte de todos nós responsabilidade individual e esforço coletivo e continuado para o combater.
O isolamento social, a que alguns cidadãos aderiram antes da declaração do estado de emergência, tinha em vista evitar uma propagação descontrolada, rápida e catastrófica deste coronavírus.
No combate a esta pandemia é essencial que ninguém tenha dúvidas do risco a que estamos sujeitos e do esforço individual e coletivo que é necessário.

Uma novidade desta pandemia: as novas tecnologias, em especial a web. 
Estão disponíveis toda uma série de ferramentas que felizmente permitem uma rede de contactos à distância, o que é um importante contributo para atenuar o stress do confinamento em casa, assegurando vídeo conferências, o tele-trabalho, etc.
Por enquanto as operadoras garantem que conseguem manter a fluidez do tráfico. Mas também é verdade que nesta área é necessário cumprir o dever cívico de não utilizar de modo excessivo a internet, para que não se registem quebras de rede devido a picos excessivos de consumo. 
Este é um momento de aprendizagem para todos.
EM QUE A CIDADANIA DEVERÁ SER O LEMA!

terça-feira, 17 de março de 2020

ENTRE ASPAS "VIOLA BRAGUESA - uma herança cultural com futuro"

A Viola Braguesa pertence hoje ao grupo das 8 Violas de Arame Portuguesas. 
O processo de certificação da Viola Braguesa foi concluído em 2017, com publicação, em Diário da República, em 13 de janeiro de 2018. O pedido de registo da produção artesanal foi apresentada pela Câmara Municipal de Braga, sendo o processo organizado pela Adere-Minho.
        
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terça-feira, 10 de março de 2020

FÁBRICA CONFIANÇA: o que nos esconde o local da fábrica e a envolvente?

O entre aspas "Fábrica Confiança: estudo exaustivo do edificado e do subsolo",  publicado a 2 de março, e os textos de Luís Fontes, publicados a 4 e 5 de março, contribuíram para o esclarecimento da opinião pública sobre a importância da Fábrica Confiança, e da envolvente, para o conhecimento da História do Concelho de Braga. 
E para o esclarecimento sobre as condicionantes a que está sujeita esta zona da cidade.



      

segunda-feira, 2 de março de 2020

ENTRE ASPAS "FÁBRICA CONFIANÇA: estudo arqueológico exaustivo do edificado e do subsolo"

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No município de Braga regista-se um expressivo número de monumentos classificados ou em vias de classificação (ao todo 68, alguns deles desde 1910). Na verdade, condições geográficas muito específicas, designadamente o relevo granítico (permitindo a formação de água no subsolo e de fontes naturais), a pluviosidade regular, os invernos amenos, o posicionamento entre as bacias hidrográficas dos rios Ave e Cávado, entre outros aspectos, favoreceram uma densa ocupação do território ao longo de milénios. O número de locais protegidos por lei documenta muito parcialmente o amplo espectro cronológico da História do concelho, bem como a sua centralidade no contexto geográfico de Entre Douro e Minho.
No conjunto de monumentos classificados predominam os que se inserem no âmbito da Proto-História, da Época Romana, da Idade Média, do Renascimento e do Período Barroco, correspondendo a momentos significativos da história da urbe bracarense e dos seus arredores
Contudo, também na Idade Contemporânea, a cidade de Braga foi um dinâmico centro comercial e industrial. De facto, esta outra vertente do legado histórico, que urge proteger e conservar, tem sido pouco contemplada e, talvez por isso, alguns imóveis como, por exemplo, o Palacete Mattos Graça, os Antigos Correios, ou magníficos prédios de Arte Nova já desapareceram, ou foram profundamente alterados. Também foram destruídos equipamentos interessantes e com qualidade estética como sucedeu com o Reservatório de Água do Alto da Cividade. 
Neste contexto, a Fábrica Confiança destaca-se, não só porque se insere no âmbito da Idade Contemporânea, como também pelo seu significado na memória urbana e, mesmo, pelo seu valor intrínseco, designadamente pela sua fachada, cuja linhas depuradas revelam a funcionalidade do imóvel.
Recordamos que outros testemunhos dos primórdios da Indústria da cidade já foram destruídos, como a Fábrica Social Bracarense, pelo que é indispensável conservar o que resta.
Aliás, a Fábrica Confiança carece de um amplo estudo de Arqueologia Industrial, de modo a que seja averiguado como foi construída, os materiais utilizados, as alterações que se verificaram ao longo do seu funcionamento como unidade produtiva. Pelo que são necessários trabalhos arqueológicos não só na vertical (exº: estudo das paredes e argamassas) como também sondagens orientadas para se estabelecer o modo como foram assentes os alicerces do edificado, o sistema de drenagem, a implantação da maquinaria. E, paralelamente, estudos completos do estado de conservação das estruturas (fachadas, pavimentos, pilares, etc.) na sequência do trabalho de Mafalda Mendes Guimarães (intitulado: Industrial heritage in Northern Portugal. The example of Fábrica Confiança) (2014)disponível “on line”.
Por outro lado, deve ser assinalado que, tanto sob o piso da fábrica como nos terrenos anexos é provável que se conservem vestígios da paisagem cultural envolvente da antiga urbe romana, uma vez que o imóvel fica no traçado da Via XVII, que ligava a Bracara a Asturica.
Das duas vias oriundas do interior norte da Península, a mais antiga evitava a zona montanhosa a oeste de Asturica e dirigia-se para Bracara por Aquae Flaviae (Chaves). Foi construída no tempo de Augusto. No itinerário de Antonino, é referida como a Via XVII. A Via Nova (Bracara - Gerês/Xures - Bergidum Flavium) é posterior (dinastia dos Flávios).
O traçado da Via XVII no concelho de Braga conservou-se relativamente bem, apesar das urbanizações que asfixiaram a cidade antiga, pois o caminho romano funcionou como principal ligação entre Braga, Chaves e Bragança ao longo de dois milénios. O local da saída da VIA XVII foi claramente identificado nos trabalhos arqueológicos efectuados no antigo edifício dos CTT, na Avenida da Liberdade. Ao longo dos primeiros duzentos metros da via estendia-se uma vasta necrópole, com sepulturas datáveis entre o Alto Império e a Antiguidade Tardia.
O ponto seguinte de passagem da via era o Largo da Senhora a Branca, onde também foi localizada uma extensa necrópole, com um elevado número de sepulturas. O caminho prosseguia em direcção ao Largo de São Vítor. Aqui, a sul da Igreja, foi descoberta uma terceira necrópole com enterramentos do Alto Império e da Antiguidade Tardia. Admite-se que do outro lado da via, no local, a norte, onde se levanta a antiquíssima igreja, existiria uma villa. Mais para leste, no contexto da urbanização da Quinta das Goladas foi descoberto, em 1985, um miliário do imperador Tibério, o sucessor de Augusto. A inscrição está completa, destacando-se o registo da Milha I a Bracara Augusta. Este marco foi encontrado na distância certa, pois entre o local do achado e o início da Via medeiam, aproximadamente, cerca de 1500 metros. A distância entre a Casa das Goladas e a Fábrica Confiança é de apenas 260 metros, se tanto. O traçado do caminho, até à Quinta dos Peões (topónimo expressivo), onde ficaria a milha II, passava a norte da capela de São Vítor o Velho, seguindo pela rua do mesmo nome (cruzando o pontilhão das Goladas). Percurso interrompido pelo edificado da Fábrica Confiança, retomado na Rua do Pulo e seguindo pelo sector leste da Rua Nova de Santa Cruz (a qual até ao século XVIII se denominava Rua das Goladas)2
As vias romanas articulavam-se com o território. Ao longo dos caminhos, em especial dos principais, estabeleciam-se uma série de edifícios. Públicos e privados. Bracara era uma grande cidade, capital de conventus no Alto Império e de província na Antiguidade Tardia (a Gallaecia). Os arredores do núcleo urbano eram densamente povoados, com inúmeros edifícios de dimensão e funções variáveis. 
Grande parte dos terrenos em que teria sido oportuno realizar prospeções de superfície e sondagens já se encontram ocupados por extensas urbanizações, com revolvimentos profundos sem que tivesse havido o necessário acompanhamento arqueológico.
Sendo assim, no espaço da Fábrica Confiança deverão ser realizadas minuciosas sondagens no subsolo. Podem ser detectados, além do caminho antigo, vestígios de uma villa, de viae vicinalis e privatae (a rede de caminhos que dava acesso a estruturas rurais e aos campos, do tipo que foi registado a norte da Estação da CP de Braga), do cadastro romano, de vestígios de antigos espaços de cultivo (como a vinha) ou mesmo de um aqueduto, como por exemplo se verificou no Campus de Gualtar, ao construir-se a Escola de Direito.
Recordamos que o espaço da Confiança fica próximo da ribeira que descia da Sete Fontes para o rio Este. Lembramos também a proximidade da já mencionada Capela de São Vitor o Velho, a que estão ligadas veneráveis tradições e lendas.  

A Confiança é o espaço privilegiado para ser não só um Museu de História da Indústria, um laboratório de Arqueologia Industrial e de reabilitação de edifícios da Idade Contemporânea, mas também para albergar um centro interpretativo da Via XVII como eixo de ligação entre o litoral e o interior, ao longo de dois milénios. 
Mas também outras valências culturais

Felizmente encontra-se em vias de classificação como Monumento de Interesse Público!
2- conforme apurou Eduardo Pires de Oliveira

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

ENTRE ASPAS "O PARQUE DAS SETE FONTES: projecto para a cidade do futuro"


No dia 8 de fevereiro de 2020, a Câmara Municipal de Braga (CMB) realizou uma sessão pública para apresentação do Projeto do Parque das Sete Fontes e Plano de Urbanização. Este tem como objectivos: “Consolidação do Parque das Sete Fontes, visando a salvaguarda e a valorização do património existente (monumento nacional, ocupação florestal) e o seu usufruto pela população; Enquadramento urbano/edificatório, de qualidade, para incentivar a vivência, aumentar a segurança no parque e estabelecer "portas" e atravessamentos; Tornar exequível a concretização do Parque, instituindo um quadro perequativo justo e transparente”.
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Já passou um quarto de século desde que a ASPA apresentou ao IPPAR o pedido de classificação do Sistema de abastecimento de água setecentista (Complexo das Sete Fontes), tendo em vista garantir a salvaguarda e preservação futura. A entrada foi registada no dia 27/03/1995 e o Despacho de abertura do processo é de 18/04/1995.


Relembramos que:
  • A área tinha uso agrícola e florestal. As mães-d'água são, por isso mesmo, conhecidas pelo nome dos proprietários dessas quintas (Dr Alvim, Freiras, Dr Sampaio, Dr Nozes, Dr Amorim) ou de instituições que usufruíam dessa água na cidade, de que é exemplo a mina dos Órfãos (que abastecia o Colégio dos Órfãos de S. Caetano, então na Praça do Município);
  • Em 1936 foi realizado um estudo hidrológico, pedido pelo então presidente da Câmara, que tinha em vista o abastecimento de água à cidade a partir das Sete Fontes. Estudo que identifica as minas e galerias e apontou valores muito elevados de água no Sistema Hidráulico;
  • Em 1999, no âmbito da revisão do Plano Diretor Municipal (PDM), o Instituto Português de Arqueologia (IPA), dependente do Ministério da Cultura, alertou para valores a proteger em Braga, nomeadamente nas Sete Fontes. Passamos a citar o parecer oficial: “Como exemplos gravosos do impacte da Revisão do PDM podemos referir: a previsível destruição do conjunto das Sete Fontes, importante e monumental núcleo de abastecimento de água à cidade na época moderna, conjunto que integra construções (incluindo aquedutos e castelos de água) da época barroca, mas que poderá ter origem na época romana. Na Revisão do PDM esta área é classificada como urbanizável, ainda que nunca tenha sido feito qualquer levantamento ou estudo sobre a importância do conjunto. Chama-se a atenção para o facto de este conjunto estar em vias de classificação, o que aliás é assinalado na Carta respectiva, embora sem efeitos na delimitação de uma possível e necessária zona de protecção”.
Assim, o IPA foi de parecer que a Revisão do Plano Director de Braga necessitava de uma profunda reformulação, a fim de garantir o estudo e uma melhor salvaguarda e preservação do património histórico-arqueológico do concelho.”
Com o Parque das Sete Fontes, esta será uma área de grande qualidade do território concelhio, não só pelo facto de lá existirem as estruturas patrimoniais do Sistema Hidráulico mas, essencialmente, pelo manancial de água que lá corre, bem como pela cobertura vegetal e zonas de retenção de água que o projeto paisagístico prevê criar. Floresta e água serão um forte contributo face à emergência climática que se avizinha. 
Com o Projeto do Parque das Sete Fontes, com enquadramento urbano edificatório de elevada qualidade, Braga dará os primeiros passos a caminho do futuro. 
Como seria esta zona do território concelhio se, desde 1995, as mais valias existentes - património construído e natural, água, relevo e paisagem - tivessem merecido o necessário cuidado da CMB?
Extrato do parecer do IPA:


Alertas das ASPA:
- em 2000
- em 2011
- em 2012
- em 2013
- em 2015
- em 2017


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

PROJETO DO PARQUE DAS SETE FONTES

Sábado, 8 de fevereiro de 2021, a Câmara Municipal de Braga realizou uma sessão pública para apresentação e discussão do Projeto do Parque das Sete Fontes e Plano de Urbanização.


O Parque tem como objetivo a salvaguarda do património existente (monumento nacional, ocupação florestal e seu usufruto pela população e garantir um enquadramento urbanístico edificatório de qualidade, para incentivar a vivência, aumentar a segurança no parque e estabelecer "portas" e atravessamento.




Contributos da ASPA para o debate






Passou 1/4 de século desde que a ASPA apresentou ao IPPAR o pedido de classificação do sistema de abastecimento de água, setecentista (Complexo das Sete Fontes), tendo em vista garantir a salvaguarda e preservação futura. A entrada foi registada no dia 27/03/1995 e o Despacho de abertura do processo é de 18/04/1995.
Desde 1995 que o Complexo das Sete Fontes estava, em teoria, protegido, uma vez que se encontrava em vias de classificação. 
Relembramos que:
  •  a área tinha uso agrícola e florestal. As mães-d'água são, por isso mesmo, conhecidas pelo nome dos  proprietários dessas quintas (Dr Alvim, Freiras, Dr Sampaio, Dr Nozes, Dr Amorim) ou de instituições que usufruíam dessa água na cidade, de que é exemplo a mina dos Órfãos (que abastecia o Colégio dos Órfãos de S. Caetano, então na Praça do Município);
  • em 1936 foi realizado um estudo hidrogeológico, pedido pelo então presidente da Câmara, que tinha em vista o abastecimento da cidade a partir das Sete Fontes. Estudo que apontou valores muito elevados de água no Sistema Hidráulico;
  • em 1999, no âmbito da revisão do Plano Diretor Municipal (PDM), o Instituto Português de Arqueologia (IPA) alertou para valores a proteger em Braga, nomeadamente nas Sete Fontes.  



De 1995 a 2001
Porém, o PDM organizado pela Câmara Municipal de Braga, nos últimos anos do séc. XX, classificou o solo na envolvente do monumento como urbanizável, com índice de construção máximo, prevendo vias de atravessamento do monumento com implantação no solo. Opções que ignoravam o monumento e a água que lá corre, bem como o estudo realizado em 1936 e o parecer do IPA.
O PDM foi aprovado em 2001, em Conselho de Ministros, prevendo índice de construção máximo nas Sete Fontes! 
A primeira urbanização levada a cabo na envolvente, ignorou minas e aqueduto que levava a água à cidade. Perdeu-se uma mina! 
Esta parte do aqueduto foi salva por intervenção da ASPA.

2009 a 2011

O movimento de cidadãos "Peticionários pela Salvaguarda das Sete Fontes", criado em 2009, foi uma ação cívica que uniu  cidadãos, associações e junta de freguesia de S. Victor, em defesa das Sete Fontes. Tinha em vista impedir a construção do hospital naquela zona da cidade, pois não havia dúvidas de que a obra teria impacto negativo no monumento e na água. Realizou inúmeras iniciativas populares e, também, um abaixo-assinado no sentido da classificação do monumento, sempre adiada desde 1995, que deu entrada na Assembleia da República (AR) em maio de 2010. A AR, por unanimidade, recomendou ao Governo a classificação como Monumento Nacional.
Em 2011 tivemos a uma boa notícia: foi promulgada a classificação das Sete Fontes como Monumento Nacional e definida a Zona Especial de Proteção do Monumento (ZEP).  A ZEP publicada revelou que parte dos terrenos ocupados pelo hospital estavam abrangidos pela proteção especial do monumento. 


Se a DRCN tivesse actuado, conforme era esperado, seria possível evitar a destruição das duas minas (Verdosas), de um forno romano de fabrico de telha, e de inúmeros sobreiros e carvalhos.



Como os camiões de elevada tonelagem circulavam em cima das galerias do Sistema Hidráulico do séc. XVIII, provocaram danos profundos nas estruturas subterrâneas do monumento, o que exigiu pedido de intervenção junto da DRCN no sentido de evitar a derrocada da galeria (2010).




De 2013 a 2021
A suspensão do PDM na área da ZEP, em 2013, pelo novo executivo municipal, e da variante à EN 103, por Gualtar, deram sinal de esperança em relação ao futuro das Sete Fontes.
A obra de conservação e restauro, realizada em 2014, permitiu resolver problemas de conservação e dar visibilidade ao monumento.
Os estudos, hidrogeológico e arqueológico, realizados como suporte para o projeto do Projeto do Parque das Sete Fontes, permitiram conhecer melhor a extensão do Sistema Hidráulico e a localização das minas que o abastecem, bem como desvendar a origem arqueológicas da zona. 
O Parque das Sete Fontes ocupará uma área de 30 ha. 
Uma observação atenta ao plano apresentado na sessão pública, em comparação com a planta da ZEP, não deixa dúvidas de que o hospital de Braga não devia ter sido construído naquele espaço. Foi um opção de planeamento urbano que marca muito negativamente esta área do território concelhio. Haverá dúvidas?

Os projetos -  paisagístico e de enquadramento urbanístico - terão de lidar com esse erro, minimizando o impacto negativo do hospital no Parque e no Monumento.  
Com o Parque das Sete Fontes, esta será uma área de grande qualidade do território concelhio, não só pelo facto de lá existirem as estruturas patrimoniais do Sistema Hidráulico setecentista mas, essencialmente, pelo manancial de água que lá corre e pela cobertura vegetal e zonas de retenção de água que o projeto paisagístico prevê. Floresta e água serão um forte contributo face à emergência climática que se avizinha. 
O futuro...
Com o Projeto do Parque das Sete Fontes, com  enquadramento urbano edificatório de levada qualidade, Braga dará os primeiros passos a caminho do futuro. 

Finalmente, algumas questões se colocam...
Como seria esta zona do território concelhio se, desde 1995, as mais valias existentes - património construído e natural, água, relevo e paisagem - tivessem merecido o necessário cuidado da CMB?
Qual seria o destino da água que circula no Sistema Hidráulico Setecentista?  
Qual seria a área do futuro Parque das Sete Fontes?

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

FONTE DO PELICANO. Quem salva esta fonte barroca?


A Fonte do Pelicano, na Praça do Município, surpreende pela negativa. Descubra o que está mal nesta fonte do séc. XVIII, de estilo barroco...





Alertámos a DRCN e o senhor  Presidente da CMB para o risco a que está sujeita a Fonte. Solicitámos a atuação no sentido de evitar que a degradação se acentue.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

ENTRE ASPAS "Barraca Augusta"




Isabel Cristina Mateus dá voz aos munícipes que revelam preocupação pelo facto de praças históricas de Braga serem permanentemente desfiguradas com barracas.
Este é um texto que exige uma reflexão cuidada por parte do Presidente da Câmara e vereação
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Alerta da ASPA...
Braga, pelo valor patrimonial das suas praças, algumas abrangidas por Zonas de Proteção de Monumentos de Interesse Público, exige respeito da parte de quem foi eleito para defender a coisa pública.
A Praça do Município está incluída na Zona Geral de Proteção do Edifício da Câmara Municipal de Braga (concebido por André Soares) e do Antigo Paço Episcopal Bracarense; no centro da praça temos a Fonte do Pelicano, do séc. XVIII, de estilo barroco. Parte da Avenida Central está abrangida pelas ZEP do Convento, Colégio e Igreja dos Congregados e do Recolhimento de Santa Maria Madalena ou das Convertidas.
A opção de instalar tendas em praças históricas será por desconhecimento e/ou insensibilidade relativamente ao valor patrimonial, histórico e turístico deste espaço público?

Não podemos esquecer que os imóveis classificados constituem um valor público e que o seu usufruto visual, do exterior, deve ser garantido. Relembramos que uma das funções das ZEP é garantir as perspectivas de contemplação do bem cultural (DL nº 309/2009 - artº 55º).

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

SETE FONTES: Apresentação e Discussão Pública do Projeto do Parque

Chegou, finalmente, o dia da Apresentação e Discussão Pública do Projeto do Parque das Sete Fontes e Plano de Urbanização.
-  8 de fevereiro, às 9H30, no Museu D. Diogo de Sousa - 

1/4 de século depois do pedido de classificação apresentado pela ASPA (1995). 


"Para além da dimensão de protecção e salvaguarda deste Monumento Nacional, procura-se promover um desenho que facilite a apropriação dos sistemas naturais (regeneração de habitats, promoção e instalação de novos habitats, os caminhos da água, a vegetação existente, etc...) sem deixar de considerar a dimensão social e recreativa do espaço que se pretende recriar". Portal da CMB.


Em 1995 (2 de Março), a ASPA propôs a  classificação do Sistema Hidráulico setecentista, conhecido como Complexo das Sete Fontes. 
16 anos depois, em Maio de 2011, o Estado português reconheceu a importância patrimonial  do Sistema de Abastecimento de Água à cidade de Braga, no séc. XVIII, quando o classificou como Monumento Nacional.
24 anos depois da proposta de classificação, a CMB realizou a sessão pública "Salvaguarda e execução do Parque Eco Monumental das Sete Fontes-apresentação dos estudos hidrogeológicos, arqueológicos, urbanísticos e paisagísticos". 
Quase 1/4 de século depois,  a CMB apresenta e coloca em discussão pública o PROJETO DO PARQUE DAS SETE FONTES e o PLANO DE URBANIZAÇÃO.

Participou em iniciativas de defesa das Sete Fontes? Então participe nesta sessão. 

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

ENTRE ASPAS: "Viúvas de Braga: um património doce"




A arte doceira, que nos foi legada pelos conventos femininos de Braga, é Património Cultural que urge valorizar, associando-o à imagem de Braga!


"Viúvas de Braga: um património doce" permite-nos descobrir doces conventuais confeccionados no Convento dos Remédios... 


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