INTERVENÇÃO CÍVICA EM DEFESA DO PATRIMÓNIO

A ASPA criou este blogue em 2012, quando comemorou 35 anos de intervenção cívica.
Em janeiro de 2025 comemorou 48 anos de intervenção.
Numa cidade em que as intervenções livres dos cidadãos foram, durante anos, ignoradas, hostilizadas ou mesmo reprimidas, a ASPA, contra ventos e marés, sempre demonstrou, no terreno, que é verdadeiramente uma instituição de utilidade pública.
Numa época em que poucos perseguem utopias, não queremos descrer da presente e desistir do futuro, porque acreditamos que a cidade ideal, "sem muros nem ameias", ainda é possível.

segunda-feira, 8 de julho de 2019

BOM JESUS DO MONTE: Património Mundial da UNESCO

Finalmente fez-se justiça!
Foi esta a primeira ideia que me veio à cabeça quando soube, no noticiário de uma rádio, às 09H00 da manhã de domingo (7jul2019), que o Bom Jesus do Monte tinha entrado para a lista do Património Classificado da UNESCO.

Finalmente os homens e as mulheres que, desde o longínquo séc. XIV, construíram a primeira capela, finalmente os homens e mulheres que ano após ano, século após século, foram levantando a maravilha que é hoje o Bom Jesus do Monte, o sacromonte mais complexo da humanidade, viram o seu trabalho ser reconhecido por todos. Todos! Todo o mundo. [Há uns anos, fez-se a escolha de uma lista com os monumentos históricos e artísticos do país, uma escolha por votação e não por competência ou qualidade, e o Bom Jesus, conforme seria expectável, não entrou nessa lista. Porquê?]

Finalmente, os homens e as mulheres que fazem o dia a dia do Bom Jesus do Monte viram ser feita justiça ao seu trabalho, ao seu amor pelo Bom Jesus do Monte. 
Sim. A obra do irrequieto arcebispo Moura Teles, do onírico André Soares ou do cartesiano Carlos Amarante, foi muito importante. Mas não é mais,nem menos importante que o trabalho das mulheres que varrem os tapetes de folhas, ou o lixo que é deixado pelos turistas, e deixam este espaço irrepreensível para todos usufruírem.Turistas que agora vão passar a vir ainda em maior número.

O trabalho das Teresas, Andresen e Marques, em levar avante esta candidatura foi enorme, fenomenal. Mas mais fenomenal será saber manter esta classificação. Continuar a ser humilde. Continuar a amar o Bom Jesus do Monte. 
O Bom Jesus do Monte é o local onde o Homem soube conjugar a sua arte com a Natureza.

Não vai ser fácil, admito que não. As responsabilidades vão agora ser mais, muito mais, muito maiores. Mas é só uma questão de ser inteligente e cauteloso; o Bom Jesus do Monte não é um local para experiências ou vaidades. .Por essa razão há que estar no Bom Jesus do Monte para o servir e não para se servir dele. Exige bom senso e humildade!

Daqui deixo os parabéns: primeiro, a quem teve a ideia e a começou a concretizar. Depois, a todos os que o seguiram, a quem concretizou esta candidatura, sejam os membros seguintes da irmandade, seja quem levou a candidatura avante, sejam os que todos os dias nos fazem ter prazer em subir a esta montanha sagrada. Os parabéns a toda essa gente “pequena” ou “grande” que faz do Bom Jesus o seu dia a dia.
Gente que, até aos meados do século XIX, era a de Braga e do Minho, gente que, até há algumas dezenas de anos, era a de Portugal e Galiza, gente que, desde há algumas dezenas de anos, é de todo o mundo.

Sim, não é só Braga, o Minho ou Portugal que devem ter prazer nesta honra que ontem o Bom Jesus do Monte recebeu. É toda a Humanidade, porque o Bom Jesus não é de Braga, do Minho, de Portugal: o Bom Jesus do Monte é de todo o mundo, de toda a Humanidade.
Hoje é dia de alegria.
Eduardo Pires de Oliveira

quarta-feira, 3 de julho de 2019

BRAGA : qual o estado de "saúde"do parque arbóreo?

A ASPA tem procurado promover a reflexão centrada no Parque Verde Urbano. Pretende-se incentivar uma política ambiental, de âmbito local, que garanta um parque arbóreo capaz de corresponder às exigências do presente e do futuro. Contactámos a Câmara Municipal de Braga (CMB), procurando resposta para problemas que detectámos em várias ruas da cidade. Através da coluna "Entre Aspas", partilhámos as nossas preocupações e divulgámos alertas de Manuel Sousa, Arqº Paisagista.
Na sequência desses contactos, a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) foi contratada pela CMB, tendo em vista a realização de um estudo que permitirá identificar árvores que exigem uma intervenção especial, no sentido de as "tratar" e, caso seja necessário, proceder à sua retirada e substituição.
Acompanhámos  o trabalho de campo realizado no final de junho de 2019. 
Aguardamos o estudo.



 

Entretanto relembramos os entre aspas e os alertas realizados através do blogue:

Melhorar o parque verde urbano para minimizar fenómenos climáticos extremos
- As podas das árvores ornamentais no espaço urbano
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terça-feira, 25 de junho de 2019

ENTRE ASPAS "Memórias Fotográficas - São João"

Manoel Carneiro e Arcelino, com as imagens que fizeram do seu tempo, permitem-nos conhecer Braga no passado.  As imagens da festa de São João são exemplo são exemplo da importância destes arquivos para o conhecimento da história urbana de Braga.
O tradicional cortejo do Carro dos Pastores e a Dança do Rei David (da autoria de Manoel Carneiro), bem como as decorações da Avenida da Liberdade e do Parque da Ponte, e o cortejo das Rusgas (retratadas por Arcelino), são as imagens que hoje partilhamos como memória patrimonial.
Sobre os arquivos fotográficos:
Memórias fotográficas - São João





segunda-feira, 10 de junho de 2019

ENTRE ASPAS "O Museu da Cultura Castreja: repositório histórico da Citânia e de Sarmento"

O Museu de Cultura Castreja é o natural ponto de partida para uma visita à citânia de Briteiros.
O Solar da Ponte, em São Salvador de Briteiros, reserva-nos outras surpresas para além da extraordinária Pedra Formosa. 
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Fachada do Solar da Ponte, em Briteiros, onde está instalado o Museu da Cultura Castreja





A Pedra Formosa recolhida na Citânia de Briteiros no século XVII


Piano de cauda Henri-Herz que pertenceu a Maria de Freitas Aguiar, esposa de Martins Sarmento


segunda-feira, 13 de maio de 2019

ENTRE ASPAS: "As podas das árvores ornamentais no espaço urbano "

 A ASPA tem procurado promover a reflexão centrada no Parque Verde Urbano, assumindo que, face às previsões climatéricas para os próximos 50 anos, é urgente reformular práticas e adotar um plano de ação que prepare o concelho para o futuro. E, como a redução de CO2 é outro desafio a que Braga deve corresponder neste âmbito, importa  adotar medidas que deem resposta a este problema. Assim, parece-nos essencial que:
- os responsáveis pela política ambiental do município, mais especificamente pelo Parque Verde Urbano e, também, as restantes forças políticas que integram o Executivo Municipal e a Assembleia Municipal de Braga, se assumam como intervenientes diretos no processo de mudança e, para tal, façam um pacto em matéria ambiental;
- esse pacto também tenha em vista medidas que conduzam ao aumento da área verde por habitante no concelho;
- os proprietários florestais sejam envolvidos, e apoiados ao nível da gestão florestal, de modo a que o concelho de Braga contribua para o cumprimento das metas nacionais.





O segundo texto, também da autoria de Manuel Sousa (Arq° Paisagista), focaliza-se nas razões que justificam a melhoria de práticas relativamente ao parque arbóreo em espaço urbano.

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As escolas poderão ser assumidas pelos municípios como parceiras em matéria de educação ambiental, uma vez que lhes compete promover vivências de cidadania ambiental. Se os projetos que desenvolvem forem devidamente apoiados a nível local, visíveis no espaço onde crianças, jovens e respectivas famílias se movimentam, terão, com certeza, maior significado e utilidade no presente e no futuro.

segunda-feira, 29 de abril de 2019

ENTRE ASPAS "O Recolhimento das Convertidas estará em risco? A imagem urbana da Avenida Central estará ameaçada?"

Perante o silêncio da DRCN e da CMB, cumpre-nos alertar a opinião pública sobre o risco a que, na nossa opinião, poderá estar sujeito o Recolhimento das Convertidas, classificado como monumento de interesse público, bem como a integridade da frente urbana da Avenida Central. 
Actuámos junto da DRCN e da CMB. Não obtivemos resposta!

Porque motivo a DRCN, que se opôs durante dois anos ao projeto, ao que sabemos, dá agora o seu aval ao Hotel?


quinta-feira, 18 de abril de 2019

ENTRE ASPAS: "Memórias fotográficas - Semana Santa"

Utilizar a fotografia histórica como matéria de reconstrução da memória social, possibilita-nos revelar um património móvel que durante décadas permaneceu apenas latente. Isto é, um património pouco conhecido, e raramente estudado e divulgado. Um património que possuímos sem o saber e que, só depois do sistemático trabalho de inventariação, estudo e classificação, revela o seu valor.
Consultar:

Ampliar as imagens no respetivo arquivo fotográfico
Arquivo Arcelino

Arquivo Arcelino

Arquivo Arcelino

Arquivo Manoel Carneiro

terça-feira, 2 de abril de 2019

ENTRE ASPAS: "Igreja e Largo da Senhora-a-Branca: fundamentos para a classificação"



A ASPA solicitou à Direção Geral do Património que iniciasse as diligências no sentido da classificação da Igreja da Senhora-a-Branca. Também solicitou que fosse estabelecida Zona Especial de Proteção (ZEP) para as Igrejas de S. Vicente e de S. Victor.

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A razão para essa solicitação é devidamente explicada neste entre aspas e no anterior, por Francisco Sande Lemos.

Mapa de Georg Braun (1594)

Braga. Extrato da Carta Militar (1ª edição)

Braga. Mapa séc. XIX (1853)

BIBLIOGRAFIA:
COSTA, Avelino Jesus da (1997) – O Bispo D. Pedro e a Organização da Arquidiocese de Braga, I, Braga, 2ª ed. Irmandade de S. Bento da Porta Aberta, 342 p. 
CARVALHO, Helena Paula Abreu de (2008) - O povoamento romano na fachada ocidental do Conventus Bracarensis. Dissertação de Doutoramento, Universidade do Minho. Braga. 
FONTES, Luís Oliveira (2008) - A igreja sueva de São Martinho de Dume. Arquitectura Cristã Antiga de Braga e na Antiguidade Tardia do Noroeste de Portugal, Revlsta de Historia da Arte, 6, Instituto de História de Arte, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa, pp. 163-181. 
- (2009) - O período suévico e visigótico e o papel da Igreja na organização do território. Minho: Traços de Identidade. Braga, Conselho cultural da Universidade do Minho, 2009, pp. 200-215.
- (2017) - Entre pagãos e cristãos: a sacralização da paisagem bracarense na Antiguidade Tardia, Ed. Gilvan Ventura da Silva, Érica Cristhyane Morais da Silva, Belchior Monteiro Lima Neto, In: Espaços do Sagrado na Cidade Antiga, GM, Gráfica e editora, Vitória-Brazil, pp.226-240. LEMOS, Francisco Sande Lemos, Francisco sande (2001) - Arredores de Bracara Augusta  - escavações arqueológicas na necrópole de S. Vitor, no contexto da via romana para Aquae Flavie, Dorum, 29, pp. 9-38.
LEMOS, Francisco Sande - (2002) Bracara Augusta – A Grande Plataforma viária do Noroeste Peninsular”, Forum, 31, pp. 95-127.
LEMOS, Francisco Sande; LEITE, José Manuel Freitas; RIBEIRO, Jorge M. Pinto; BRAGA, Cristina; MAGALHÃES, Fernanda – (2013). Salvamento de Bracara Augusta: campus de Gualtar: 2005: acrónimo BRA05UM: relatório. Trabalhos Arqueológicos da UAUM/Memórias, 37, Braga.
MARTINS, M. (1990) - O povoamento proto-histórico e a romanização da bacia do curso médio do Cávado, Cadernos de Arqueologia, Monografias 5, Braga.
MARTINS, Manuela; FONTES, Luís F. Oliveira; BRAGA, Cristina; BRAGA, José; MAGALHÃES, Fernanda; SENDAS, José (2010). Salvamento de Bracara Augusta: quarteirão dos CTT - Avenida Liberdade (BRA08-09 CTT): relatório final. Trabalhos Arqueológicos da UAUM/Memórias, 1, Unidade de Arqueologia da UM, Braga. 
Notícias na Imprensa local; por exemplo: "Srª-a-Branca: mais três sepulturas encontradas".