INTERVENÇÃO CÍVICA EM DEFESA DO PATRIMÓNIO

A ASPA criou este blogue em 2012, quando comemorou 35 anos de intervenção cívica.
Em janeiro de 2025 comemorou 48 anos de intervenção.
Numa cidade em que as intervenções livres dos cidadãos foram, durante anos, ignoradas, hostilizadas ou mesmo reprimidas, a ASPA, contra ventos e marés, sempre demonstrou, no terreno, que é verdadeiramente uma instituição de utilidade pública.
Numa época em que poucos perseguem utopias, não queremos descrer da presente e desistir do futuro, porque acreditamos que a cidade ideal, "sem muros nem ameias", ainda é possível.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

ENTRE ASPAS: "Caminhos para a resiliência climática"


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A ASPA participou no Workshop Pathways2Resilience (PR2), promovido pela Câmara Municipal de Braga a 14 julho, que teve em vista a apresentação do projeto com a mesma designação e sua articulação com as principais prioridades a estabelecer no Plano Municipal de Ação Climática (PMAC). Foi realizada uma breve discussão sobre áreas prioritárias, oportunidades de intervenção e ações a considerar no âmbito do PR2 e, também, a apresentação de contributos dos participantes sobre cada problemática. 


O PR2 é um programa financiado pela União Europeia, que apoia regiões e municípios com o objetivo de acelerar uma adaptação transformadora tendo em vista a resiliência climática.

A Equipa PR2, que articula com a Câmara de Braga, tem como parceiros técnicos as empresas SIMBIENTE e Factual.

 

O PMAC, elaborado em 2022, é o ponto de partida para a identificação de riscos climáticos, ações prioritárias e lacunas de implementação; ligação à governação, financiamento e execução; preparação de uma avaliação de base, uma Estratégia de Resiliência, um Plano de Ação e um Plano de Investimento.

Passados quatro anos, desde a elaboração do PMAC, o PR2 vem ajudar a decidir quais as ações prioritárias e responsabilidades, bem como custo, barreiras e financiamento.

 

A ASPA apresentou uma série de sugestões para vertentes que considera essenciais neste processo. Salientou, ainda, a importância da criação de uma REDE MUNICIPAL DE REFÚGIOS CLIMÁTICOS no concelho de Braga: locais que garantam a proteção da população mais vulnerável face a temperaturas muito elevadas ou muito baixas e que funcionem como abrigo temporário, proporcionando conforto térmico.

 

Sugestões apresentadas, relativamente a cada área crítica:

RECURSOS HÍDRICOS: Avaliação do estado da rede de distribuição de água e consequente reparação/substituição de modo a eliminar perdas; Aproveitamento da água proveniente do sistema aquífero das Sete Fontes cuja água doce é, hoje em dia, desperdiçada; Desemparedamento/renaturalização de cursos de água canalizados, cobertos ou enterrados; Reabilitação/renaturalização de margens e leitos de cheia de cursos de água e de galerias ripícolas: Ampliação de infraestruturas de armazenamento de água; Reutilização de águas tratadas para rega; Promoção de jardins de infiltração, bacias de retenção e substituição de pavimentos impermeáveis (no âmbito da aprovação de projetos de urbanismo).

 

ESPAÇOS VERDES: Introdução de elementos de sombreamento; Obrigatoriedade de existência de espaços verdes com árvores em todas as novas urbanizações; Aumento e diversificação dos espaços verdes, incluindo jardins verticais e telhados ajardinados; Acautelar a proteção de raízes de árvores de grande porte (sequestro de carbono) no âmbito da aprovação de projetos relativos a infraestruturas enterradas.

 

MOBILIDADE: Implementação de um plano integrado de mobilidade que reduza a utilização do automóvel particular, promovendo os transportes coletivos e os modos suaves de deslocação.

 

AGRICULTURA E FLORESTAS: Criação e implementação de um plano de combate a espécies invasoras em meio agrícola e florestal; Promoção do cultivo de espécies agrícolas adaptadas às alterações climáticas; Revegetação de vertentes suscetíveis à erosão; Incentivar a criação de charcas; Incentivar a limpeza e utilização de poças de consortes, para facilitar o uso partilhado de água de rega e evitar a perda de água doce (que se perde quando vai para o rio e, depois, para o mar); Criação de ZIF (Zona de Intervenção Florestal), iniciando na área tampão do Santuário do Bom Jesus do Monte; Incentivar a gestão  dessa área florestal, no âmbito da articulação de proprietários florestais com Associação Florestal, tendo em vista uma gestão florestal sustentável.

 

EDÍFICIOS: Promoção da construção bioclimática e energeticamente eficiente; Promoção do aproveitamento de águas cinzentas em novos edifícios;

 

ENERGIA: Agilização do licenciamento e instalação de painéis solares, em edifícios residenciais e espaços industriais e comerciais cobertos; Incentivar os cidadãos para a constituição de comunidades de energia. Também consideramos de grande importância, nas políticas de adaptação climática, a inclusão do conhecimento associado à construção de edifícios históricos, uma vez que a arquitetura original nos apresenta soluções resilientes, essenciais para o futuro.

Estas sugestões pressupõem uma forte articulação entre os Pelouros responsáveis por cada uma das áreas da gestão municipal, tanto a nível político como técnico, nomeadamente na vertente do AMBIENTE e do URBANISMO e, também, do Património.


Uma síntese comparativa dos referenciais existentes em Braga, no que diz respeito a Adaptação – Mitigação face às alterações climáticas - EMAAC (2016) e PMAC (2024) - permite perceber que, desde há 10 anos, foram elencadas medidas de grande importância para Braga. Mas, o certo é que muito pouco foi concretizado e, como tal, há um longo caminho a percorrer. O concelho carece de execução para recuperar o atraso significativo no que respeita a: decisões claras, responsabilização a nível municipal (político e técnico), responsabilização por parte de outras entidades com quem é suposto articular.


É necessário investimento consistente, fiscalização credível e uma cultura de responsabilização que ainda não se verifica.

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